Neste domingo, milhões de brasileiras e brasileiros irão às urnas para eleger não apenas o próximo presidente da República, mas também governadores, deputados federais, senadores, deputados estaduais e deputados distritais. A eleição mobiliza uma parte significativa do poder político do país, tornando o discernimento do eleitor fundamental para o futuro da nação.

A escolha dos representantes implica em avaliar propostas que podem tanto reduzir a desigualdade social e promover uma distribuição de renda mais justa, quanto preservar privilégios e concentrar riquezas. Questões econômicas, como a participação estatal no desenvolvimento ou propostas ultraliberais de privatização, e áreas essenciais como saúde, educação, moradia e segurança, exigem atenção às promessas e projetos dos candidatos.

Desafios na formação da opinião do eleitor

Analisar a trajetória pessoal e política dos candidatos, confrontar discursos com práticas e entender os interesses que representam são tarefas essenciais. No entanto, o acesso à informação e a capacidade de avaliá-la criticamente variam amplamente entre os eleitores. Milhões de brasileiros chegam às eleições com diferentes condições para verificar dados, expostos a informações compartilhadas em círculos sociais e digitais que podem misturar opiniões, propaganda e notícias falsas.

Embora a internet esteja presente em quase todos os domicílios brasileiros em 2026, o acesso à informação não garante a capacidade de avaliá-la criticamente. Assim, não se pode exigir o mesmo grau de investigação de todos os eleitores, mas é crucial que cada um, dentro de suas possibilidades, busque fontes confiáveis, questione afirmações extraordinárias e verifique as informações antes de formar convicções. Conhecer o financiamento dos candidatos e os grupos beneficiados por suas decisões é também um passo importante.

O papel da mídia e a composição do Legislativo

A responsabilidade do eleitor coexiste com a responsabilidade de quem produz e dissemina informação política. A mídia hegemônica, por vezes, reflete interesses econômicos e políticos de seus controladores, enquanto mídias progressistas, frequentemente no YouTube, buscam informar com rigor e pluralidade, financiadas por suas comunidades. A jornalista Tereza Cruvinel, primeira diretora-presidente da EBC, em seu livro, ressalta a importância de espaços nobres para a discussão de temas nacionais e internacionais na TV pública, papel muitas vezes assumido pela mídia comercial com suas próprias narrativas.

A atuação das TVs comerciais se intensifica em períodos eleitorais, onde a seleção do que é mostrado ou omitido pode influenciar a narrativa política e favorecer projetos alinhados a interesses específicos, como os do mercado financeiro e de elites econômicas. Mesmo quando há retratações, o impacto da informação equivocada já se espalhou.

Além da escolha presidencial, é fundamental que o eleitor compreenda a relevância dos governadores, deputados e senadores. A composição do Congresso Nacional e das Assembleias Legislativas afeta diretamente a aprovação ou bloqueio de projetos, o orçamento e a fiscalização do Poder Executivo. Um governo com um projeto de país pode encontrar apoio ou resistência no Legislativo, e a correlação de forças entre Executivo e Legislativo pode comprometer políticas públicas importantes, especialmente sob a pressão de grupos econômicos organizados, como bancadas ligadas a bets, agronegócio e sistema financeiro. A recente proibição das bets por medida provisória, por exemplo, ilustra o embate entre interesse público e interesses econômicos no Congresso, com dúvidas sobre sua conversão em lei após o fim da MP. A composição do Legislativo, portanto, impacta diretamente as possibilidades de ação de qualquer governo.