A Rede Globo cancelou um debate pré-eleitoral, justificando a decisão como uma interferência do Judiciário. A emissora, que tradicionalmente organiza o evento, havia proposto um formato que gerou discussões e levou a decisões judiciais que impactaram a participação de alguns candidatos.

A controvérsia teve início com a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que não participaria do debate. Segundo a equipe do presidente, a decisão visava preservar a dignidade do cargo, evitando ataques de baixo nível em um tempo de fala limitado. Diante da ausência confirmada de Lula e da intenção de Flávio Bolsonaro de participar, a Globo estabeleceu um novo critério para a presença de candidatos, exigindo um mínimo de cinco deputados federais por partido. Essa regra, embora pudesse constar em alguma legislação, não havia sido aplicada por emissoras em debates eleitorais anteriores, segundo críticos.

Decisões Judiciais e Desistências Marcam o Cenário

A alteração da regra resultou na exclusão de Renan Santos, candidato cujo partido contava com apenas um deputado federal, apesar de sua colocação em algumas pesquisas. A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibiu o uso de um púlpito vazio no debate, que seria reservado para Lula. Em seguida, após ter seu pedido de participação inicialmente negado por ministros do TSE, Renan Santos obteve uma decisão favorável do ministro Gilmar Mendes.

Após as decisões judiciais e a confirmação da participação de Renan Santos, Flávio Bolsonaro desistiu do debate, alegando interferência indevida do Judiciário, a mesma justificativa posteriormente adotada pela Globo para o cancelamento do evento. O episódio gerou críticas sobre o papel da emissora e a postura de alguns profissionais.

Lula em Podcast e Audiência Recorde

Paralelamente aos acontecimentos envolvendo o debate da Globo, o presidente Lula participou do podcast Flow, alcançando uma audiência de 1,5 milhão de espectadores. O episódio foi descrito por alguns como uma revanche contra a edição de um debate de 1989, com Lula "goleando" a emissora no cenário midiático.