A eleição presidencial de 2026 se aproxima com um cenário de intensa polarização e ataques a instituições. Horas antes da abertura das urnas, Flávio Bolsonaro, candidato do PL, direcionou críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), à Polícia Federal (PF) e ao Congresso Nacional, afirmando que ministros do STF tomam decisões para favorecer um adversário político, e classificando o STF como uma “delegacia de polícia”. Ele também acusou parte da PF de perseguição e alegou que o Congresso está “capturado”. Questionado sobre a aceitação de uma possível derrota, o candidato não se manifestou, divergindo de declarações anteriores.

Ataques às Instituições e o Histórico Político

Essa postura de Flávio Bolsonaro se insere em um contexto político onde o sistema eleitoral já foi alvo de questionamentos. Jair Bolsonaro, pai de Flávio, foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023 por utilizar a estrutura presidencial para atacar as urnas eletrônicas. Em setembro de 2025, o STF o condenou a 27 anos de prisão por crimes como tentativa de golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, apontando-o como líder de uma organização criminosa.

Em 2026, o foco dos questionamentos de Flávio Bolsonaro se deslocou da confiabilidade das urnas para a legitimidade dos órgãos que julgam, investigam e organizam o processo eleitoral. O discurso visa a autoridade dos árbitros, levantando dúvidas sobre quem tem a prerrogativa de validar o resultado.

Decisões Judiciais e Controvérsias Recentes

Um episódio recente que ilustra a tensão foi o cancelamento do último debate presidencial na TV Globo. Inicialmente, a emissora planejava manter um púlpito vazio para o candidato ausente e permitir perguntas a ele direcionadas. No entanto, a ministra Estela Aranha, do TSE, proibiu ambas as regras, argumentando que poderiam pressionar o candidato a comparecer e desequilibrar o debate. A decisão, embora contestada e criticada, foi justificada pela ministra como uma interpretação judicial das regras, e não como uma prova de fraude eleitoral.

Outra controvérsia envolveu a retirada de publicações sobre Nossa Senhora Aparecida. A campanha de Flávio Bolsonaro solicitou a remoção de postagens que o associavam a um projeto de lei de 2007 que propunha a alteração do título de “Padroeira do Brasil”. Embora o projeto não tenha sido de sua autoria, o ambiente político-religioso que gerou a associação existia, e o ministro André Mendonça inicialmente ordenou uma remoção ampla, que depois foi restrita pelo plenário do TSE para atingir apenas publicações que atribuíam diretamente a Flávio uma intenção inexistente.

O atual presidente do TSE é Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro em 2020. Em 2026, Nunes Marques tem tomado decisões que impactam a campanha, como a suspensão de uma pesquisa e a rejeição inicial de retirada de vídeo que associava Flávio a organizações criminosas. O plenário do TSE reverteu algumas dessas decisões. André Mendonça, outro ministro do STF e vice-presidente do TSE, também tem uma ligação direta com o governo Bolsonaro, tendo sido Advogado-Geral da União e Ministro da Justiça. Apesar de sua origem política, Mendonça abriu um inquérito que incluiu Flávio Bolsonaro em um caso de financiamento de filme e tomou decisões que contrariaram o candidato.