A observação de que a destruição daquilo que se odeia gera alegria é um ponto central na filosofia de Baruch Espinosa, conforme descrito em sua obra 'Ética'. Este conceito ressalta como o ódio, embora prejudicial à razão e à felicidade, pode trazer euforia. Espinosa, pensador do século XVII, via o ódio como um obstáculo ao desenvolvimento do pensamento, uma ideia que, segundo a apresentação de Marilena Chaui para a edição da 'Ética' de 2015, confronta pilares da superstição religiosa, da tirania política e da servidão ética.
No contexto das campanhas eleitorais atuais, sentimentos como ódio, medo, remorso e ressentimento parecem dominar o cenário. A euforia momentânea que o ódio proporciona ao eleitorado é descrita como viciante, com muitas pessoas celebrando a antecipação da destruição de algo que lhes é detestável. Este ódio é retratado como palpável, intenso e pesado, característico do fanatismo.
A rejeição ao presidente e suas raízes
O foco desse sentimento de aversão, conforme a análise, materializa-se na figura do atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e no que é denominado 'lulismo'. Os altos índices de rejeição ao chefe do Executivo, constantes nas pesquisas, não são vistos como um fenômeno conjuntural, mas como reflexo de um desgosto enraizado em forças históricas.
Essa hostilidade é associada a traços de patriarcalismo, intolerância à visibilidade pública da pobreza e preconceito racial. Além disso, a influência do presidente e do 'lulismo' se estendeu por diversas esferas sociais, desde comunidades e ambientes de trabalho até círculos familiares. Essa ramificação fez com que a rejeição ao chefe de Estado se manifestasse também contra pessoas mais próximas que representam essa corrente política.
Ódio íntimo e o impacto nas urnas
Um exemplo dado é o de indivíduos que, impulsionados por um rancor pessoal contra um parente de esquerda, decidem votar em candidatos da extrema direita. Esse voto, motivado pela vingança e pelo desejo de 'dar o troco', é apresentado como uma forma de desopilar um ódio íntimo e disfarçado. A análise sugere que esses ódios pessoais, mesmo os mais mesquinhos, podem influenciar o resultado das eleições.
A conclusão é que o Brasil se encontra governado não apenas por um partido, mas por um sentimento de ódio generalizado. Muitos se encontram na condição de 'servidão' descrita por Espinosa, caracterizada pela incapacidade de controlar os próprios afetos. Dessa forma, pessoas dominadas por esses sentimentos podem, paradoxalmente, determinar o futuro do país.






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