A soberania brasileira enfrenta um risco inédito em sua história, em um cenário de eleições marcado pela disputa entre Flávio Bolsonaro e um novo patamar da política internacional dos Estados Unidos. A candidatura de Flávio Bolsonaro, que segundo o texto segue a linha do pai ao explicitar subordinação a Donald Trump, é vista como um fator de preocupação. Este cenário se agrava diante de uma postura mais agressiva dos Estados Unidos sob a administração Trump 2, que o texto descreve como uma versão mais violenta e piorada da anterior. A perspectiva de um eventual 'Bolsonaro 2' é associada a um retrocesso de décadas para o Brasil e ao esmagamento da soberania nacional.

O cenário internacional e a nova postura dos EUA

O imperialismo ocidental, embora historicamente brutal, demonstra agora um comportamento ainda mais perigoso devido ao seu declínio e à recusa em aceitá-lo. Os Estados Unidos e o Ocidente, mesmo em decadência, possuem grande força econômica, política e militar, o que os torna capazes de causar grandes estragos. Após um período de prevalência natural dos EUA no pós-Guerra Fria, o surgimento de um mundo multipolar, com a ascensão da China e de outros países do Leste Asiático, levou a uma mudança nas políticas econômicas ocidentais. Abandonando o neoliberalismo, passaram a adotar medidas protecionistas e intervencionistas.

Contudo, essas mudanças se mostraram insuficientes para conter o enfraquecimento dos EUA e da Europa, especialmente diante do avanço da China, considerada a principal ameaça. Em resposta, o Ocidente, especialmente os Estados Unidos, intensificou suas ações, passando a romper regras, acordos e tratados, e a minar instituições multilaterares como a ONU e a OMC. Esse "vale-tudo" institucional, sem preservar a hegemonia mundial, levou os EUA a recorrer ao seu poderio militar. Com a gestão Trump 2, tornou-se rotina a ameaça ou o uso da força militar para obter concessões e desestabilizar países considerados pouco cooperativos, estabelecendo-se uma verdadeira "lei da selva".

A vulnerabilidade do Hemisfério Ocidental

Os Estados Unidos têm demonstrado um foco renovado no Hemisfério Ocidental, considerado abertamente parte de sua área de influência. Documentos como a “Estratégia de Segurança Nacional” (novembro de 2025) e a “Estratégia de Defesa Nacional” (janeiro de 2026) destacam a intenção de restaurar a proeminência americana e negar a competidores não-hemisféricos a capacidade de posicionar forças ou controlar ativos estratégicos. O governo americano, sob a liderança de Trump e seu ministro das Relações Exteriores, Marco Rubio, tem enfatizado que o Hemisfério Ocidental é de sua posse, anunciando o uso de todos os meios, inclusive militares, para eliminar resistências nacionais e reduzir a presença econômica e política da China.

As ações imperiais concretas já se manifestaram em intervenções na Venezuela, que se tornou um protetorado dos EUA com o controle de suas riquezas petrolíferas, e na Groenlândia, com a ampliação da presença militar americana. O embargo a Cuba foi radicalizado, com a possibilidade de uma agressão militar futura. Essas ações têm o objetivo comum de conter a influência da China e da Rússia. Além das intervenções diretas, a influência dos EUA no Hemisfério aumentou com a ascensão de governos alinhados a Washington, e a Telavive, em países da região, o que é comparado ao "modelo Javier Milei", que inclui subordinação explícita aos Estados Unidos e apoio incondicional a Israel. Atualmente, apenas Canadá (sob Mark Carney), Brasil (com Lula) e México (com Claudia Sheinbaum) mantêm uma linha independente, além de Cuba e Nicarágua. A questão que se coloca é se o Brasil permitirá ser submetido à área de influência dos EUA sem resistência.