A Rede Globo está considerando utilizar uma cadeira vazia no debate presidencial desta quinta-feira, 1º de outubro, caso o candidato Lula não compareça. A medida, a três dias do primeiro turno das eleições de 2026, tem gerado debates sobre o papel da mídia na cobertura eleitoral e a fronteira entre jornalismo e espetáculo. Segundo o colunista Lauro Jardim, a ausência de Lula seria improvável, apesar das restrições do candidato aos debates.
A decisão de participar de entrevistas ou debates é uma prerrogativa dos candidatos e suas campanhas. Transformar uma eventual falta em um espetáculo com uma cadeira vazia pode ser visto como um posicionamento editorial, indo além da imparcialidade jornalística e transformando o debate em um evento para gerar conteúdo para redes sociais.
Histórico de debates e a postura da mídia
A conduta da mídia corporativa em debates eleitorais já foi alvo de questionamentos no passado. Em 1994 e 1998, quando Fernando Henrique Cardoso liderava as pesquisas, a Globo não realizou debates de primeiro turno, alegando justificativas burocráticas e evitando confrontos diretos com Lula. Naquelas ocasiões, não houve a proposta de uma cadeira vazia ou a criação de uma narrativa de que o candidato estaria fugindo do debate.
A diferença na abordagem levanta a questão dos possíveis motivos da emissora para essa mudança de postura. Observadores apontam que a mídia tradicional tem adotado uma estratégia para desgastar a imagem de Lula. Citaram como exemplo a apresentação de um PowerPoint na GloboNews, em 19 de março, que, ao associar a imagem de Lula a um caso envolvendo o Banco Master, gerou reações negativas nas redes sociais e um pedido de desculpas da emissora.
Novas acusações e a reta final da campanha
A tentativa de descredibilizar o candidato Lula continuou com vazamentos de informações que visavam implicar seu filho, Fábio Luís, em um escândalo do INSS. Apesar da quebra de sigilos bancário e fiscal, nenhuma prova de envolvimento foi encontrada. O escândalo, por outro lado, possui ligações claras com o governo de Jair Bolsonaro e seus filhos.
Flávio Bolsonaro já confirmou sua presença no debate e tem cobrado publicamente a participação de Lula. Embora a Globo tenha o direito de organizar seus debates e definir suas regras, e o candidato o direito de escolher onde e como expor suas propostas, a questão central é o limite da transformação de uma decisão política em um elemento do espetáculo jornalístico.
A cadeira vazia, apesar de ser um recurso cenográfico, adquire um significado político em um período eleitoral tão acirrado e próximo da votação. Tal atitude deveria ser tratada com cautela, dada a responsabilidade da emissora em informar a população. A não participação de Lula, simbolizada por uma cadeira vazia, pode revelar mais sobre a própria emissora do que sobre o candidato, afastando-a do ideal de imparcialidade na cobertura.
O líder do governo no Senado, Camilo Santana, afirmou que Lula participará do debate da Globo na próxima quinta-feira, mas a informação ainda não foi oficialmente confirmada pelo candidato ou sua campanha.






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