247 – O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, apresentou nesta segunda-feira (21), em Nova York, o Acredita no Primeiro Passo como uma experiência brasileira de integração entre políticas de proteção social e geração de renda.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Dias participou de uma plenária de alto nível da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas dedicada a Negócios Sociais, Juventude e Tecnologia. O encontro teve entre os participantes o economista Muhammad Yunus, vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2006 e um dos principais responsáveis pela difusão internacional do microcrédito.

Voltado a pessoas inscritas no Cadastro Único, o Acredita no Primeiro Passo combina qualificação profissional, encaminhamento ao mercado de trabalho, estímulo ao empreendedorismo e acesso ao microcrédito produtivo orientado. A proposta apresentada pelo ministro na ONU é vincular a rede de proteção social à criação de condições para que famílias de baixa renda ampliem sua autonomia econômica.

“A proteção social é fundamental para garantir segurança às famílias, mas precisamos também abrir caminhos para a autonomia. Com o Acredita no Primeiro Passo, estamos conectando qualificação, emprego, empreendedorismo e crédito para que as pessoas tenham condições de transformar oportunidades em renda e melhoria de vida”, afirmou Wellington Dias.

Crédito e inclusão produtiva

A participação de Muhammad Yunus ocorre no ano em que são celebrados 50 anos da experiência que ajudou a dar origem ao modelo contemporâneo de microcrédito. Fundador do Grameen Bank, em Bangladesh, o economista desenvolveu mecanismos destinados a oferecer pequenos empréstimos a pessoas de baixa renda sem as garantias normalmente exigidas pelo sistema financeiro tradicional.

A estratégia defendida por Wellington Dias, porém, busca ir além da concessão de financiamento. Na avaliação do ministro, a experiência acumulada nas últimas décadas indica que o crédito precisa estar articulado a políticas de qualificação profissional, orientação, acesso a mercados e proteção social.

“Pessoas em situação de pobreza não podem ser vistas apenas como beneficiárias de políticas públicas. Elas são também empreendedoras, trabalhadoras, produtoras e agentes econômicos. O crédito abre portas, mas precisa estar acompanhado de qualificação, orientação, acesso a mercados, proteção social e tecnologia”, declarou.

O Acredita no Primeiro Passo foi estruturado com essa lógica. O programa procura acrescentar uma frente de inclusão socioeconômica às políticas destinadas às famílias do Cadastro Único, com ações para facilitar a entrada no mercado de trabalho e estimular pequenos negócios.

Garantia para ampliar acesso ao crédito

Uma das frentes da iniciativa é o uso de mecanismos de garantia destinados a facilitar a concessão de microcrédito a pessoas que enfrentam dificuldades para obter financiamento pelas vias tradicionais.

O modelo procura reduzir uma das principais barreiras encontradas por trabalhadores e pequenos empreendedores de baixa renda: a falta de garantias exigidas por instituições financeiras para liberar empréstimos.

Ao apresentar a experiência brasileira no debate da ONU, Wellington Dias defendeu que instrumentos de crédito sejam combinados com capacitação, assistência e políticas públicas capazes de diminuir o risco de que o financiamento, isoladamente, resulte em endividamento sem geração sustentável de renda.

Inclusão produtiva entra no debate internacional

Durante a plenária, o ministro também defendeu que políticas de inclusão produtiva e negócios sociais ocupem espaço maior na agenda internacional de desenvolvimento, especialmente diante das mudanças provocadas por novas tecnologias no mercado de trabalho.

A discussão ocorre durante a participação de Dias na Assembleia Geral das Nações Unidas. Em Nova York, o ministro cumpre entre esta segunda-feira (21) e quarta-feira (23) uma agenda dedicada ao combate à fome e à pobreza, proteção social, financiamento do desenvolvimento e cooperação internacional.

A programação inclui debates sobre segurança alimentar e fortalecimento das economias rurais, além de encontros com organismos multilaterais.

Aliança Global contra a Fome e a Pobreza

Wellington Dias também levou ao encontro a experiência da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada sob liderança brasileira durante a presidência do país no G20.

Copresidente da Aliança, o ministro defendeu o mecanismo como uma plataforma capaz de disseminar internacionalmente políticas que já apresentaram resultados em diferentes países.

A proposta é aproximar governos, organismos internacionais e instituições financeiras para ampliar o financiamento e a implementação de programas voltados à redução da pobreza e da insegurança alimentar.

Para Dias, soluções já testadas podem ser adaptadas e ganhar escala por meio da cooperação internacional.

“O mundo não precisa começar do zero. Existem políticas e experiências que funcionam. Precisamos dar escala a essas soluções e conectar proteção social com autonomia econômica. A fome é uma escolha e acabar com ela também é uma escolha política”, concluiu.