Daniel Vorcaro, banqueiro do Banco Master, teria informado a membros do Banco Central sobre a existência de seis rotas de fuga para evadir a Polícia Federal. Essa informação foi revelada em depoimento prestado em julho de 2026 por Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do BC, à Polícia Federal. O relato foi divulgado pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, na última segunda-feira (21).

Segundo Neves de Souza, a informação sobre as rotas de fuga foi transmitida por Ailton de Aquino, então diretor de Fiscalização do Banco Central, no mesmo dia em que Vorcaro foi detido e a liquidação do Banco Master anunciada. O ex-servidor relatou ter recebido a notícia logo pela manhã, após a prisão do banqueiro. Ailton de Aquino teria comunicado a prisão de Vorcaro e de Augusto Lima, além da necessidade de atenção à liquidez do BRB.

Detalhes do depoimento e investigações

Durante o depoimento, Paulo Sérgio Neves de Souza citou a mensagem recebida de Ailton de Aquino, que mencionava a prisão de Vorcaro e que ele “tinha seis rotas de fuga”. Questionado pelo delegado Albert de Moura sobre a quem a afirmação das rotas de fuga foi feita, Paulo Sérgio respondeu: “Para a gente”. Ele reforçou a versão, comentando que, se o banqueiro tinha seis rotas, a Polícia Federal deveria ter tudo mapeado, incluindo possíveis escutas.

As investigações do Caso Master já haviam apontado a existência de pelo menos três voos preparados para a saída de Vorcaro do Brasil, conforme a Folha de S. Paulo. O banqueiro foi preso em 17 de novembro de 2025 no aeroporto de Guarulhos, enquanto se preparava para um suposto embarque para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Contatos antes da prisão

A apuração citada pelo Metrópoles também indicou que, no dia de sua prisão, Daniel Vorcaro manteve contato com Paulo Sérgio Neves de Souza e com Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC. Na mesma data, Vorcaro também se reuniu com Ailton de Aquino para discutir a tentativa de venda do Banco Master ao Grupo Fictor. Horas depois desses encontros, o banqueiro foi detido pela Polícia Federal em Guarulhos.