247 – Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirmou em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria sido submetido a tortura psicológica, maus-tratos e ameaças veladas durante o período em que esteve preso sob custódia da Polícia Federal. Segundo ele, as intimidações teriam como objetivo impedir que relatasse, em uma eventual delação premiada, fatos relacionados à Polícia Federal.

As declarações foram reveladas pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. O depoimento foi prestado por videoconferência a um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça, relator no STF da investigação relacionada ao Banco Master.

Vorcaro afirmou acreditar que as supostas pressões estariam por trás da resistência da Polícia Federal em participar do acordo de colaboração premiada que ele tenta negociar desde sua prisão, ocorrida em março. De acordo com a coluna, o ex-banqueiro mencionou em seu relato o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

O advogado de Vorcaro, Daniel Bialski, e o diretor-geral da Polícia Federal não responderam aos questionamentos da coluna. Interlocutores de Andrei Rodrigues, porém, rejeitaram qualquer proximidade entre ele e o ex-controlador do Master.

Segundo essas pessoas, Rodrigues jamais manteve relação com Vorcaro. Os dois teriam se encontrado apenas uma vez, de forma casual, durante um seminário jurídico realizado em Londres e organizado pelo grupo Voto. O Banco Master patrocinou o encontro, embora essa informação não fosse divulgada à época.

PF diz que acordo poderia ser negociado diretamente com a PGR

Agentes ouvidos pela Folha também argumentaram que Vorcaro poderia recorrer diretamente à Procuradoria-Geral da República (PGR) para tentar celebrar uma colaboração premiada, sem que fosse necessária a participação da Polícia Federal na negociação.

Nos bastidores, segundo a coluna, o depoimento passou a ser interpretado por integrantes da investigação como uma tentativa de abrir caminho para que eventual acordo de delação seja conduzido sem a PF e com participação de integrantes da PGR considerados aceitáveis pelo ex-banqueiro.

André Mendonça confirmou nesta quarta-feira (2) que Vorcaro foi ouvido recentemente no âmbito da investigação sobre o Banco Master. O ato contou com a presença do Ministério Público, mas foi realizado sem integrantes da Polícia Federal.

O ministro afirmou, por meio de nota de sua assessoria, que a audiência ocorreu a pedido da defesa de Vorcaro diante das alegações de intimidação apresentadas pelo ex-banqueiro.

“O depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar”, afirmou Mendonça.

Gabinete afirma que Alexandre de Moraes não foi tema do depoimento

Segundo a nota divulgada pelo gabinete de André Mendonça, o depoimento não abordou assuntos relacionados ao ministro Alexandre de Moraes, colega de Corte do relator.

A realização da audiência sem a presença da Polícia Federal havia sido revelada inicialmente pelo jornal O Globo.

Moraes passou a ocupar posição central na crise envolvendo o caso Master após a divulgação de informações sobre contatos mantidos com Vorcaro e conversas relacionadas às investigações envolvendo o banco.

O novo depoimento adiciona mais um capítulo à disputa em torno da tentativa de Vorcaro de fechar um acordo de colaboração premiada. Por enquanto, as alegações de tortura psicológica, maus-tratos e ameaças apresentadas pelo ex-banqueiro são acusações feitas por ele e não tiveram comprovação mencionada nas informações divulgadas pela Folha.