O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo o deputado federal Rogério Correia (PT-MG), planeja expandir o comércio com os países do Mercosul, da Europa e com a China. A declaração foi feita nesta quinta-feira (16), em um contexto de repúdio à imposição de uma tarifa de 25% pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O parlamentar ressaltou a qualidade dos produtos nacionais, afirmando que o país não recuará diante das novas medidas.

As tarifas adicionais dos EUA, que entrarão em vigor a partir de 22 de julho, visam uma variedade de bens industriais, agrícolas e energéticos. Entre os produtos afetados estão fuel oil, gasolina, carregadeiras, transformadores elétricos, tratores de esteira (bulldozers) e motoniveladoras. Fabricantes brasileiros de pneus para automóveis, caminhões e ônibus, bem como exportadores de açúcar de cana, etanol e tabaco em folhas, também serão atingidos. Outros itens incluem portas, madeiras, calçados de couro, granito, pedras trabalhadas, matérias proteicas e chapas de alumínio.

Exceções e Impacto no Comércio

Apesar da abrangência da medida, o governo norte-americano excluiu da tarifa uma série de produtos que são importantes para a pauta de exportação brasileira. Permanecem fora da cobrança adicional o petróleo bruto, o café em grão, aeronaves, ferro-gusa, celulose branqueada, carne bovina congelada, suco de laranja (congelado e não congelado), ferro-nióbio, minério de ferro, combustíveis de aviação, partes de turbinas e silício. Outros itens como couro bovino, mel natural, hidróxido de alumínio, café solúvel e determinados produtos de madeira também foram isentos. Essas exceções protegem segmentos que geram grande parte da receita de exportação para o Brasil no mercado estadunidense, minimizando o impacto imediato sobre as vendas.

Em 2025, o Brasil registrou um superávit comercial de US$ 63,8 bilhões, impulsionado pelas relações com China, Estados Unidos e Argentina. A China destacou-se como o principal parceiro comercial, adquirindo US$ 100,1 bilhões em mercadorias brasileiras, um aumento de 5,99% em relação ao ano anterior e correspondendo a 28,69% de todas as exportações. As importações brasileiras da China também cresceram, totalizando US$ 70,9 bilhões. Já as exportações para os Estados Unidos, segundo maior comprador, atingiram US$ 37,7 bilhões, representando uma queda de 6,57% em comparação a 2024, resultando em um déficit comercial de US$ 7,5 bilhões para o Brasil com os EUA.

Parcerias Comerciais Estratégicas

A Argentina ocupou o terceiro lugar nas exportações brasileiras, com vendas de US$ 18,1 bilhões, um aumento de 31,41%. O comércio com o país vizinho resultou em um superávit de aproximadamente US$ 5,2 bilhões para o Brasil. Além desses, os Países Baixos, Espanha, México, Singapura, Canadá, Chile e Índia também figuraram entre os dez maiores destinos das exportações brasileiras em 2025. Os produtos de maior destaque nas vendas brasileiras incluem óleos brutos de petróleo, soja, minério de ferro, carne bovina e café torrado, evidenciando a concentração nas commodities.