Uma startup chamada Electric Plant desenvolveu um sistema de inteligência artificial capaz de interpretar os sinais elétricos sutis emitidos pelas plantas. O objetivo é permitir que produtores entendam as necessidades das espécies em tempo real, otimizando o cultivo.

A inspiração para o projeto surgiu quando Justin Mast, cofundador da empresa, leu sobre uma planta conectada a um suporte motorizado que se movia em busca de luz ao detectar sinais elétricos. “Isso foi a entrada para o buraco do coelho para mim”, afirmou Mast.

Mast e o neurocientista Lee von Kraus fundaram a Electric Plant e passaram três anos coletando dados para criar o modelo de linguagem. Chamado Bombadil, o sistema é capaz de interpretar os sinais elétricos de cerca de 125 espécies, desde samambaias e sequoias até tomates e dálias. Os fundadores acreditam que, no futuro, a ferramenta permitirá até mesmo “falar” com as plantas.

Para levar os sensores e o modelo Bombadil ao mercado, a Electric Plant levantou US$ 11,2 milhões em uma rodada de investimento inicial. O dinheiro veio de fundos como Onto Ventures, Climactic, Ponderosa, Endeavor Catalyst, Ludlow, Michigan Rise, The Fund, Schox VC e Dug Song.

Os sensores da startup, que custam “dezenas de dólares”, são instalados nas plantas com pequenos parafusos de aço inoxidável, que penetram na camada de tecido vivo sob a casca. Os dados coletados são enviados para uma estação base sem fio e interpretados pelo Bombadil na nuvem. Os resultados são então enviados aos produtores, que podem ajustar a irrigação ou a adubação. Mast afirma que o sistema pode aumentar a produção e reduzir o uso de água em 20% ou mais.

Tecnologia supera métodos tradicionais

Mast explica que, mesmo em estufas controladas, os produtores não têm total visibilidade das necessidades das plantas. As ferramentas tradicionais, como sondas de solo e imagens de satélite, são consideradas insuficientes, pois não monitoram as demandas em tempo real.

“Essa tecnologia é sofisticada, mas sua capacidade de entrar no interior da planta não é muito sofisticada. A maior parte dessas coisas ainda fica bastante atrasada em relação às necessidades em tempo real da planta”, disse Mast. A startup usou esses dispositivos para treinar o Bombadil, que, segundo Mast, “irá superar muitos desses equipamentos”.