A Vale projeta que mais de 100 milhões de toneladas da oferta global de minério de ferro estão enfrentando pressão econômica devido aos atuais níveis de preços e custos. Diante desse cenário, a empresa reforça sua aposta no cobre como o principal motor de crescimento para o futuro, segundo relatórios do BTG Pactual e da XP Research baseados em reuniões com a administração da mineradora.

As análises indicam que a Vale espera uma racionalização na oferta de minério globalmente, enquanto direciona uma parte significativa de sua expansão para a Vale Base Metals (VBM). A XP estima que mais de 100 milhões de toneladas da oferta mundial estão em situação econômica desafiadora com o minério a cerca de US$ 95 por tonelada e o petróleo Brent em torno de US$ 90 por barril. O BTG, considerando preços à vista e custos de frete, aponta mais de 120 milhões de toneladas operando com prejuízo. Contudo, dentro da própria Vale, apenas aproximadamente 5 milhões de toneladas anuais de sua produção estariam sob pressão. O principal ajuste potencial estaria nas cerca de 30 milhões de toneladas por ano adquiridas de terceiros, embora a companhia não planeje fechar capacidade própria no momento. Se o cenário adverso persistir, as compras externas poderão ser reavaliadas.

Cobre no centro da expansão da Vale

O cobre é o cerne da estratégia de crescimento da Vale Base Metals. A XP destaca que o projeto Bacaba avança antes do cronograma previsto, o CPF se aproxima da decisão final de investimento e Alemão surge como próximo na carteira de projetos. Outros empreendimentos como 118 e Cristalino estão em fase de viabilidade, enquanto Paulo Afonso se encontra em pré-viabilidade. Para o projeto de cobre de grande porte em Hu’u, a Vale avalia a busca por um parceiro estratégico, visando agregar conhecimento técnico e reduzir riscos de execução. No entanto, a empresa prioriza ativos sob seu controle e não inclui Hu’u no roteiro principal de expansão atual.

A expansão da VBM poderá ser financiada com recursos próprios, e uma potencial oferta pública inicial de ações permanece entre as alternativas estratégicas, mas não é uma prioridade de curto prazo para financiar os projetos atuais. A XP informa que a divisão almeja aproximadamente dobrar sua produção até 2035. A Vale acredita que o avanço no cobre pode mudar a percepção do mercado sobre a companhia, pois a administração atribui parte do desconto de avaliação em relação a concorrentes globais à alta exposição ao minério de ferro e à menor participação do cobre em seu portfólio.

Estratégias de frete e portfólio

A estratégia de frete da Vale oferece uma proteção adicional em meio a custos elevados. Segundo o BTG, entre 70% e 75% da movimentação marítima da empresa é coberta por contratos de longo prazo ou embarcações dedicadas. A XP complementa que a exposição de 2026 está totalmente contratada, e cerca de 75% da exposição a afretamentos por tempo em 2027 já está protegida. Para 2027, a mineradora também protegeu aproximadamente 70% de sua necessidade de combustível marítimo, com referência equivalente a cerca de US$ 78 por barril de petróleo.

A Vale pretende aguardar o fechamento do ano fiscal antes de decidir sobre eventuais distribuições adicionais de recursos aos acionistas, devido às incertezas nos preços das commodities, no frete e na resposta da oferta mundial de minério. A estratégia de portfólio permanece focada em minério de ferro, cobre e níquel. No níquel, a prioridade é a eficiência dos ativos existentes, e não a aceleração de aquisições ou grandes expansões. A administração também indicou que terras raras não estão entre as áreas consideradas para diversificação. Na Samarco, a expectativa é de aumento da capacidade para cerca de 28 milhões de toneladas anuais.