247 – A federação formada por União Brasil e PP marcou uma reunião em Brasília para o dia 6 de outubro, dois dias depois do primeiro turno, com o objetivo de definir sua posição na etapa final da disputa presidencial. A tendência atual, segundo dirigentes ouvidos em caráter reservado, é de apoio a Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi divulgada pelo jornal O Globo.
Embora o encontro ainda não tenha sido formalmente convocado, a data já foi acertada por integrantes da cúpula das duas legendas. A federação havia decidido ficar neutra no primeiro turno, mas dirigentes avaliam que o cenário político mudou com a aproximação da fase decisiva da eleição.
Um dos principais articuladores da revisão da neutralidade é o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Segundo interlocutores, ele passou a defender com mais força um apoio a Flávio Bolsonaro depois de se irritar com uma declaração feita por Lula durante ato de campanha no Piauí, na semana passada.
Na ocasião, Lula pediu votos para Júlio César (PSD) e Marcelo Castro (MDB), seus dois candidatos ao Senado no estado e adversários de Ciro Nogueira na disputa pela reeleição. Em seguida, o presidente afirmou que não aceitava “vira-lata” ao seu lado.
“Eu vim aqui para pedir voto por Júlio César e quero que vocês saibam: eu não tenho outro candidato ao Senado. O meu senador é o Júlio César e o Marcelo Castro, para que a gente dê mão de vez por todas. A gente não aceita vira-lata do nosso lado, não aceita. Nós não aceitamos vira-lata, nós queremos gente de bem”, disse Lula.
Integrantes da cúpula da federação interpretaram a fala como uma referência a Ciro Nogueira. O episódio ampliou o desgaste entre o presidente do PP e o presidente da República e passou a ser citado nas conversas internas sobre a posição que União Brasil e PP deverão assumir em um eventual segundo turno.
A decisão de manter neutralidade no primeiro turno havia sido tomada em julho. Naquele momento, o PP barrou uma tentativa de levar a senadora Tereza Cristina (MS) para a chapa de Flávio Bolsonaro. A parlamentar havia sinalizado disposição para aceitar o posto de vice, mas a direção do partido consultou diretórios estaduais e decidiu não convocar uma convenção para rever a posição da legenda.
A resistência partiu de nomes influentes do PP, como o líder do partido na Câmara, Doutor Luizinho (RJ), e os deputados Aguinaldo Ribeiro (PB) e Eduardo da Fonte (PE). À época, dirigentes argumentavam reservadamente que não havia motivo para abandonar a neutralidade em favor de uma candidatura que ainda enfrentava dificuldades para ampliar sua coalizão nacional.
Também havia incômodo com a pressão feita por Flávio Bolsonaro para atrair Tereza Cristina antes de obter o aval formal do PP. A neutralidade acabou prevalecendo também no União Brasil, em razão das divergências internas sobre o apoio ao candidato do PL e das diferentes alianças estaduais mantidas pelos dois partidos.
Dirigentes avaliavam que uma adesão nacional a Flávio poderia prejudicar candidatos da federação em estados onde Lula tem maior força eleitoral. Esse cálculo, no entanto, tende a perder peso depois do primeiro turno, quando as disputas para governos estaduais e para o Congresso já estarão definidas.
A avaliação interna agora é que, em um segundo turno, a federação terá mais liberdade para adotar uma posição nacional. Além do desgaste de Ciro Nogueira com Lula, integrantes das duas siglas também passaram a levar em conta o desempenho de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e a possibilidade de reorganização das forças políticas na reta final da disputa presidencial.






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