247 – A JBS anunciou uma nova etapa de sua reorganização societária e regulatória no Brasil: a JBS S.A. pediu o cancelamento de seu registro de companhia aberta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), enquanto os títulos negociados no mercado brasileiro passarão a ser emitidos pela JBS N.V., estrutura internacional da empresa.

Segundo a Globo Rural, a companhia comunicou a decisão à CVM nesta segunda-feira (21), após deliberação de seus acionistas em assembleia geral extraordinária. A mudança ocorre pouco mais de um ano depois da migração da listagem principal das ações da JBS para a Bolsa de Nova York e quase duas décadas após a abertura de capital da empresa no Brasil.

Com a reorganização, a JBS S.A. permanecerá registrada apenas na categoria B. Na prática, isso permite à companhia seguir emitindo determinados títulos no país, como debêntures, mas restringe essas operações a investidores profissionais. Os papéis não poderão mais ser ofertados ao público investidor em geral.

Para os investidores brasileiros, os BDRs da JBS continuarão sendo negociados normalmente no mercado local. Esses recibos têm lastro nas ações classe A da JBS N.V., negociadas nos Estados Unidos e equivalentes às ações ordinárias.

A JBS N.V. possui dois tipos de ações. As de classe A são negociadas na bolsa norte-americana e servem de base para os BDRs no Brasil. Já as ações classe B são detidas exclusivamente pela J&F, holding dos irmãos Batista, e concentram maior poder de voto: cada ação classe B equivale a dez ações classe A.

Em comunicado, a JBS afirmou que “a efetivação do cancelamento de registro está sujeita à conclusão satisfatória da análise do pedido pela CVM, a qual deverá ocorrer nos termos e nos prazos estabelecidos na Resolução CVM 80”.

A movimentação da JBS ocorre dois dias depois de a J&F apresentar pedido de registro de companhia aberta no Brasil, também na categoria B. A holding, que controla empresas como Âmbar Energia, Eldorado e Flora, busca com isso habilitar-se a emitir títulos de dívida no mercado brasileiro.

De acordo com o Valor, citado pela Globo Rural, a medida reflete a transformação da J&F de uma holding de participações para uma companhia operacional. Até agora, a empresa ainda não realizava emissões de dívida no país.

A reestruturação também acontece em meio à transição no comando da JBS. A companhia deverá voltar a ter um integrante da família Batista na presidência executiva em janeiro de 2027, quando Wesley Batista Filho assumirá o cargo de CEO, substituindo Gilberto Tomazoni.