O jornalista Tiago Barbosa, em participação no programa Fura-Bolha da TV 247, analisou a postura da grande imprensa na cobertura das eleições presidenciais de 2026, destacando o que ele considera um retorno de práticas jornalísticas parciais. Barbosa apontou uma suposta blindagem à candidatura do senador Flávio Bolsonaro, contrastando com uma ofensiva contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Poder Judiciário. Segundo o jornalista, o alinhamento da mídia a pautas ultraliberais teria gerado uma “amnésia institucional” nas redações, levando ao esquecimento de ataques anteriores do clã Bolsonaro a jornalistas.

Barbosa argumentou que o “ódio de classe, o antipetismo e o antilulismo” estariam se sobrepondo ao fazer jornalístico, transformando "qualquer factoide em munição contra o governo". Ele citou como exemplo as sabatinas presidenciais, em particular a do Jornal Nacional, que, em sua visão, foram montadas para buscar tropeços do presidente e reativar o estigma da corrupção, em vez de debater projetos de país. O jornalista comparou essa abordagem ao período do mensalão e da Operação Lava Jato, mencionando a insistência em pautas marginais e a exclusão deliberada de vozes progressistas nas coberturas.

Disparidade na cobertura e alvos da mídia

Um dos pontos centrais da crítica de Tiago Barbosa foi a disparidade na alocação de recursos investigativos das redações. Ele ressaltou que, enquanto veículos enviam repórteres ao exterior para apurar a vida de familiares de Lula, escândalos envolvendo diretamente Flávio Bolsonaro seriam tratados com indiferença. Barbosa mencionou o caso de um banqueiro preso, para quem o senador teria pedido recursos, e a compra de uma mansão de milhões de reais em Brasília, com condições atípicas de financiamento. Ambos os temas, segundo ele, não receberiam a devida atenção do “jornalismo investigativo”.

A ofensiva editorial contra o Supremo Tribunal Federal (STF) também foi alvo de análise. Barbosa indicou que a busca pela derrubada do ministro Alexandre de Moraes visaria deslegitimar as sentenças contra os envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro e rotulá-lo como “o juiz de Lula”. Para o jornalista, o objetivo não seria a moralidade institucional, mas sim abrir caminho para o retorno do "fascismo" ao poder, sob a chancela do mercado.

Economia e a "ficção das manchetes"

Na parte final da conversa, Tiago Barbosa e Laís Gouveia abordaram a forma como a grande imprensa constrói uma narrativa que, em sua visão, se distancia da realidade econômica. Mesmo com indicadores como crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), baixa taxa de desemprego, inflação controlada e retomada do poder de compra, o noticiário insistiria em atribuir os resultados à "sorte" ou classificar políticas públicas como "eleitoreiras".

Barbosa concluiu que a "versão fabricada do real tenta ser mais forte do que a própria realidade vivida pelo povo", sugerindo que a mídia apela ao irracional por não ter um projeto de país a oferecer. Ele defendeu que a comunicação independente e os setores populares devem seguir desmascarando esse plano nas redes e nas ruas.