Um temporal de grande intensidade causou estragos significativos no Chile, levando o presidente José Antonio Kast a decretar estado de catástrofe nesta segunda-feira (20). As chuvas, que tiveram início na última quarta-feira (15), resultaram em cinco mortes e quatro pessoas desaparecidas. Além disso, quase 100 mil indivíduos estão isolados e cerca de 2.200 foram diretamente afetados. As regiões de Coquimbo e Atacama foram as mais atingidas, onde mais de 1.100 casas foram danificadas ou destruídas. Aproximadamente 150 mil pessoas ficaram sem energia elétrica.

Máximo Pavez, vice-ministro do Interior, enfatizou a gravidade da situação, destacando que a quantidade de chuva esperada para um mês inteiro caiu em apenas uma hora em algumas localidades no domingo (19), caracterizando o evento como uma chuva extrema e anormal. O transbordamento de rios bloqueou estradas, isolou povoados e dificultou o acesso de equipes de emergência às áreas mais necessitadas.

Impactos e ações do governo

O decreto de estado de catástrofe confere ao governo a capacidade de mobilizar as Forças Armadas, restringir a circulação em áreas de risco e agilizar o envio de recursos públicos para as regiões afetadas. As autoridades estão focadas em operações de retirada de moradores, distribuição de alimentos, fornecimento de água potável e assistência às famílias que perderam suas casas.

A intensidade das chuvas é incomum para as regiões de Coquimbo e Atacama, que possuem um clima predominantemente seco. Esse fator agravou a pressão sobre rios, encostas, rodovias e a infraestrutura de serviços essenciais. Em Coquimbo, enchentes e deslizamentos danificaram imóveis e vias, além de comprometerem o abastecimento de água potável, forçando a retirada de funcionários de instalações da empresa Aguas del Valle.

Desafios e recuperação

A falta de energia elétrica nas áreas atingidas intensificou as dificuldades, impactando serviços públicos, comunicações e operações de abastecimento. Embora equipes das concessionárias estejam trabalhando para restaurar a rede elétrica, os alagamentos e bloqueios continuam a dificultar o acesso a muitas localidades. A costa chilena também foi afetada, com ondas fortes e ventos intensos levando à restrição de operações em terminais portuários por segurança.

O governo chileno mantém equipes de emergência nas áreas impactadas, monitorando constantemente o nível dos rios, a estabilidade das encostas e a situação das estradas. A prioridade máxima das autoridades é o resgate de moradores, a localização dos desaparecidos e o restabelecimento urgente dos serviços essenciais para a população.