247 – O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, defenderá na próxima quarta-feira (9), em reunião com o presidente do STF, Edson Fachin, que eventuais desvios de conduta de ministros da Corte recebam apuração com o mesmo rigor aplicado a cidadãos comuns. O dirigente fez o alerta em um contexto de repercussão de mais detalhes da relação entre magistrados da Corte e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso atualmente por envolvimento em um esquema bilionário de fraudes financeiras. 

“A sociedade precisa constatar que o STF não usa réguas diferentes para seus integrantes. A credibilidade da Justiça depende da ética dos juízes”, disse Simonetti em entrevista divulgada no blog da Tainá Falcão.

O encontro está marcado para a próxima quarta-feira (9) e contará também com representantes das seccionais da OAB. A entidade pretende tratar da crise envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, além de cobrar respeito ao sigilo da advocacia.

O presidente do STF, Edson Fachin, abriu um prazo para manifestações de Alexandre de Moraes, André Mendonça, do procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Gonet e Andrei aparecem citados em diálogos de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

O presidente do STF teria sugerido que pretende levar as duas análises de forma simultânea ao plenário da Corte.

Inquérito das fake news

Edson Fachin, 25 de fevereiro de 2026
Edson Fachin, 25 de fevereiro de 2026. Foto: Divulgação

Nesta sexta-feira (4), Fachin determinou que o material apresentado por Moraes fosse retirado do inquérito das fake news, relatado pelo próprio ministro Alexandre de Moraes.

O presidente do STF afirmou que a Corte dará uma resposta institucional “firme, proporcional e rigorosa”. Fachin também disse que não haverá “precipitação” nem “omissão”.

Contexto da crise no STF

O ministro André Mendonça decidiu na última terça (1) tornar público um material da PF sobre mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. Um dos principais pontos do material envolve o contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório Barci de Moraes, pertencente a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF. Outra informação divulgada trata de cartões de crédito do Banco Master emitidos para filhos de Moraes, com limites de até R$ 300 mil.

Após a retirada do sigilo do material da PF, Alexandre de Moraes enviou ao presidente do STF, Edson Fachin, relatórios de policiais federais que teriam apontado “fortes indícios” de irregularidades atribuídas a André Mendonça na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero, da PF.

Moraes tomou a decisão nesta quinta-feira (3), no âmbito do Inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news.

Depois do elemento envolvendo as duas operações da PF, Mendonça encaminhou a Fachin um pedido de afastamento de Moraes em meio às repercussões do caso Master.