O Sindicato dos Bancários de Brasília organizou nesta quinta-feira (13) uma manifestação na Alameda dos Estados, em frente ao Congresso Nacional, para defender o Banco de Brasília (BRB). A ação aconteceu no mesmo dia de uma audiência de conciliação no Supremo Tribunal Federal (STF), solicitada pelo governo do Distrito Federal e convocada pelo ministro Luiz Fux. O encontro visa discutir a implementação de um acordo para viabilizar uma operação de crédito crucial para a recuperação financeira do BRB.

O Sindicato reafirmou sua posição em defesa da manutenção do BRB como uma instituição pública, focada no desenvolvimento econômico e social do Distrito Federal. Segundo comunicado da entidade, a mobilização busca engajar funcionários do BRB e suas empresas coligadas para garantir que o banco permaneça público, sólido e atendendo aos interesses da população. A categoria entende que sua presença é fundamental para demonstrar que a instituição é construída diariamente por seus trabalhadores, que asseguram o funcionamento dos serviços, promovem o desenvolvimento e implementam políticas públicas.

Questionamentos ao Banco do Brasil e Ministério da Fazenda

O Banco do Brasil solicitou ao STF que não participasse da audiência para debater os próximos passos da operação. Essa decisão gerou questionamentos por parte do Sindicato tanto ao BB quanto ao Ministério da Fazenda. O Sindicato manifestou estranhamento diante de informações que considera contraditórias, pois o BB teria informado ao STF que não formou consórcio de bancos e que não tem mandato para assumir obrigações em nome de outras instituições, apesar de esse papel ter sido publicamente atribuído a ele.

Em ofício enviado à presidenta do Conselho de Administração do Banco do Brasil, Anelize Lenzi Ruas de Almeida, o Sindicato pediu explicações sobre a real participação do banco nas negociações e se houve alguma mudança de postura ao longo do processo. Adicionalmente, o Sindicato expressou apoio à posição do Ministério da Fazenda de que não há lentidão ou inércia por parte do governo federal nas negociações. No entanto, solicitou esclarecimentos à Fazenda por supostamente ter "minimizado de forma significativa" o papel do BB na operação.

A entidade sindical questionou o Ministério da Fazenda sobre a possibilidade de ter ocorrido uma alteração de posicionamento, divergências entre o Banco do Brasil e o Ministério sobre o papel do BB na execução do acordo, ou se a manifestação apresentada ao Supremo representa de maneira incompleta a participação efetiva do banco nas negociações. A audiência desta quinta-feira decorre de um acordo firmado no STF em maio, que visava viabilizar uma operação financeira para o BRB. Naquela ocasião, houve sinalização positiva do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e de outros bancos para conceder um empréstimo ao Distrito Federal, com fiança de um sindicato de bancos e sem aval da União, acordo este que foi homologado pelo Supremo. Desde então, as negociações têm sido marcadas por discordâncias entre as instituições financeiras sobre a estrutura das garantias e a responsabilidade de cada uma.