247 – O mercado brasileiro de beleza e cuidados pessoais deve movimentar cerca de R$ 140 bilhões em 2026, impulsionado por mudanças no comportamento dos consumidores e pela incorporação de tecnologias, serviços personalizados e práticas sustentáveis. O Brasil já ocupa a posição de terceiro maior mercado consumidor do segmento no mundo.
As projeções fazem parte do Caderno de Tendências da Beleza 2026, elaborado pelo Sebrae e divulgado pela Agência Sebrae de Notícias (ASN). O levantamento reúne análises de comportamento e consumo e informações obtidas em alguns dos principais eventos do setor para identificar os movimentos que devem orientar profissionais e pequenos negócios.
Entre as dez tendências mapeadas estão o uso crescente de tecnologia ao longo da jornada de consumo, personalização, sustentabilidade, integração entre beleza e bem-estar, tratamentos apoiados pela ciência, produtos multifuncionais, longevidade, inclusão, experiências imersivas e cocriação com consumidores e influenciadores.
O estudo indica uma mudança na própria maneira como o público se relaciona com o setor. Resultados estéticos continuam importantes, mas passam a dividir espaço com critérios relacionados ao bem-estar, à rotina individual, aos valores pessoais e às necessidades específicas de cada consumidor.
Para Maria Consuelo Mello, gestora nacional de Beleza e Bem-estar do Sebrae, acompanhar as transformações pode representar uma vantagem competitiva para os pequenos negócios.
“Os empreendedores podem aproveitar essas tendências para serem diferenciados. Agora eles também têm acesso a informações de ponta e podem se antecipar às mudanças do mercado, assim como as grandes empresas”, afirma.
Inteligência artificial entra na personalização
Parte dessas mudanças já vem aparecendo nas principais feiras de beleza. Ao longo de 2025, foram acompanhados eventos como Hair Summit, Beauty Show, Beauty Fair e Barber Week, nos quais foram observados lançamentos, novas tecnologias e diferentes formatos de interação com os consumidores.
Na Beauty Fair, por exemplo, foram identificadas soluções que utilizam inteligência artificial para personalizar produtos e serviços. Outros eventos apresentaram experiências sensoriais, produtos capazes de desempenhar múltiplas funções e ferramentas digitais voltadas à relação entre marcas, profissionais e clientes.
A tecnologia aplicada e a digitalização da jornada da beleza aparecem, portanto, entre os movimentos centrais apontados pelo levantamento. A personalização direcionada também ganha espaço à medida que empresas passam a oferecer soluções mais ajustadas às características e preferências de cada consumidor.
Outro eixo relevante é a chamada ciência do cuidado, que inclui tratamentos capilares e dermocosméticos mais avançados. O estudo ainda identifica crescimento do interesse por longevidade, prevenção e uma abordagem mais ampla dos produtos e serviços relacionados ao envelhecimento.
Sustentabilidade e inclusão ganham peso
A sustentabilidade também aparece entre os fatores capazes de influenciar as decisões de consumo. A tendência apontada pelo estudo envolve práticas ambientais concretas e maior atenção ao propósito associado aos produtos, em um movimento definido como beleza consciente.
Inclusão, diversidade e valorização da beleza real completam esse processo de transformação. A expectativa é que marcas e prestadores de serviços precisem responder a um público cada vez mais diverso e interessado em soluções adaptadas às suas características.
O levantamento também identifica a expansão de experiências imersivas e lúdicas e da chamada cultura de colaboração, na qual consumidores, criadores de conteúdo, influenciadores e marcas participam da criação e divulgação de produtos.
Beauty Fair reúne pequenos negócios
As tendências estarão no centro da participação de pequenos negócios na Beauty Fair 2026, marcada para ocorrer entre 5 e 8 de setembro, em São Paulo. A programação contará com um seminário dedicado ao setor, com profissionais convidados para discutir tendências e gestão.
Um estande reunirá 20 pequenos negócios selecionados pelas unidades de Competitividade e Acesso a Mercados do Sebrae. Os participantes também terão acesso a rodadas internacionais de negócios, com a possibilidade de estabelecer contato com compradores e ampliar redes comerciais.
Entre os expositores estará a Amby, marca de cosméticos naturais de alta performance criada há cinco anos em Seara, Santa Catarina. Depois de participar de uma rodada internacional direcionada aos mercados do Paraguai e do Equador, a empresa pretende utilizar a Beauty Fair para avançar em sua estratégia de internacionalização.
“Nossa expectativa é concretizar vendas internacionais durante o evento e projetar, para o início de 2027, a primeira exportação da marca”, afirma a empresária Julie Reginato.
A empreendedora também espera aproveitar o evento para ampliar as relações comerciais da empresa. “Esperamos nos conectar com mais clientes B2C e captar novas parcerias B2B, sempre alinhados ao propósito de levar cosméticos naturais, com fórmulas limpas e sustentáveis.”
Dez tendências para 2026
O Caderno de Tendências reúne dez movimentos considerados norteadores do setor neste ano: beleza integrada e bem-estar total; ciência do cuidado; multifuncionalidade inteligente; sustentabilidade prática e propósito real; longevidade, prevenção e antiaging ampliado; inclusão, diversidade e beleza real; personalização direcionada; experiências imersivas e lúdicas; cocriação, conteúdo e cultura de influência; e tecnologia aplicada e digitalização da jornada da beleza.
Além da participação em feiras, há iniciativas de capacitação destinadas aos pequenos negócios do segmento, entre elas o Decola MEI Beleza, voltado gratuitamente a microempreendedores individuais de estética, salões, barbearias e serviços de manicure, e o UP Digital, uma jornada de dez dias sobre ferramentas digitais para vendas.
Segundo Maria Consuelo Mello, a presença dos empreendedores em grandes eventos permite combinar oportunidades comerciais com acesso a informações sobre os rumos do mercado.
“Na Beauty Fair 2026, a proposta é justamente transformar essa informação em oportunidade. As feiras não são só espaços de venda e acesso a mercado. Elas apontam para o futuro do setor, oferecem capacitação técnica e conhecimento de gestão”, afirma.






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