Senadores democratas dos Estados Unidos, membros da Comissão de Relações Exteriores, emitiram na segunda-feira (27) uma crítica pública ao governo de Donald Trump. Eles acusam a administração de conspirar para interferir no processo eleitoral brasileiro, conforme revelado pelo jornal The Washington Post. A manifestação dos parlamentares americanos ocorreu por meio de uma publicação na rede social X, onde compartilharam o conteúdo da reportagem que detalhava a suposta tentativa de intervenção na disputa eleitoral do Brasil.
A ala democrata ressaltou o impacto negativo dessas ações para a reputação e a segurança dos próprios Estados Unidos. No texto veiculado nas redes, os senadores afirmaram que a propagação de teorias da conspiração eleitoral não contribui para a segurança americana, mas, ao contrário, mina a confiança na democracia interna e afasta aliados internacionais.
Vistos negados e suspeitas de interferência
A reportagem do The Washington Post detalhou que dois funcionários do Departamento de Estado americano tiveram seus vistos negados pelo Brasil na sexta-feira (24). Os envolvidos foram Riley Barnes, secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel Samson, subsecretário-assistente. Ambos, que respondem diretamente ao secretário de Estado Marco Rubio, supostamente planejavam articular um ataque à confiabilidade das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral brasileiro.
A intenção da comitiva seria chegar ao Brasil poucas semanas antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. Embora as agendas oficiais em Brasília não tivessem sido divulgadas, os pedidos formais de vistos levantaram fortes suspeitas entre as autoridades brasileiras sobre uma possível motivação ligada ao pleito eleitoral do país.
O Departamento de Estado confirmou ao jornal que Barnes e Samson planejavam viajar para Brasília na semana seguinte, mas não forneceu detalhes sobre o objetivo da visita. Os dois funcionários não responderam ao contato da reportagem. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que sua área internacional foi procurada pela Embaixada dos Estados Unidos para tratar da visita, mas não recebeu informações sobre a temática específica da agenda, que não foi marcada devido ao recesso do Poder Judiciário.
Críticas internas e senadores envolvidos
Os senadores democratas também divulgaram trechos da reportagem do The Washington Post que evidenciavam um descontentamento dentro do próprio governo dos Estados Unidos. A publicação citou a declaração de um alto funcionário do Departamento de Estado, que afirmou: “Costumávamos usar o poder em situações perigosas para a democracia. Agora enviamos indicados políticos para desacreditar o sistema eleitoral de outro país.”
A denúncia e a publicação foram expressamente feitas pela ala democrata da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA, que inclui os senadores Jeanne Shaheen, Chris Coons, Chris Murphy, Tim Kaine, Jeff Merkley, Cory Booker, Brian Schatz, Chris Van Hollen, Tammy Duckworth e Jacky Rosen.







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