A secretária nacional de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi) do Ministério da Educação (MEC), Zara Figueiredo, e as jornalistas Basília Rodrigues e Ester Cauany, do SBT, foram vítimas de ataques racistas em plataformas digitais. As ofensas surgiram após a divulgação de um vídeo promocional para o programa Sala de Imprensa, do SBT News, exibido no último sábado (4), onde as profissionais discutiram o racismo estrutural e as disparidades raciais no Brasil.

A postagem, que ocorreu durante a semana do Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial, foi rapidamente inundada por comentários discriminatórios. As mensagens atacavam a aparência e a legitimidade das três mulheres negras. Diante da gravidade da situação, Zara Figueiredo gravou um pronunciamento público, anunciando que todas as provas visuais e as identificações dos agressores foram encaminhadas à Polícia Federal.

Violência contra a estética e desumanização

Os ataques focaram em tentar ridicularizar as características físicas e os cabelos das entrevistadas, uma tática comum em violências simbólicas de gênero e raça. Comentários como “Que cabelos penteados ridículos Cada qual pior Querendo lacrar a raça Asco” e “Parei quando vi os cabelos” foram observados. Houve também mensagens mais agressivas e desumanizadoras, como “fezes”, “manequim da casa funerária” e “Que espécie alienígenas é isso daí?”.

Além disso, a análise dos ataques revelou um uso coordenado do termo em inglês “skin” (pele ou aparência visual de um personagem) de forma pejorativa, como eufemismo para destilar ódio racial, buscando despersonalizar as mulheres negras. Frases como “Essa skin é obrigatória?”, “a mesma skin” e “que skin” foram usadas. Zara Figueiredo ironizou a grafia incorreta do termo em seu vídeo de resposta, reforçando a importância da presença de mulheres negras em posições de poder.

“Não é liberdade de expressão, é crime”

Zara Figueiredo refutou qualquer tentativa de justificar as agressões como liberdade de expressão, enfatizando que “as regras do mundo real devem prevalecer também no ambiente virtual. Portanto, racismo é crime no mundo real e racismo é crime no virtual”. A secretária destacou que a motivação dos ataques é o incômodo com a ascensão de mulheres negras a posições de poder e decisão.

Basília Rodrigues também se manifestou contra os ataques em sua conta. A secretária, que já foi alvo de outras ofensas por defender a Lei 10.639/2003 (que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas), ressaltou que a violência visa minar os mecanismos legais de combate à desigualdade. A deputada estadual Macaé Evaristo publicou uma nota de apoio, afirmando que os ataques não são isolados, mas uma tática política para intimidar mulheres negras que ocupam espaços de destaque.

A equipe do Brasil de Fato contatou individualmente os agressores para que se manifestassem sobre seus comentários. Até o fechamento da reportagem, apenas um usuário respondeu, alegando que seu comentário era uma ironia. O espaço permanece aberto para futuras manifestações.