A S&P Global Ratings elevou a classificação de crédito do Latam Airlines Group, passando de “BB” para “BB+” com perspectiva estável. A decisão, divulgada nesta segunda-feira (21), reflete o sólido desempenho operacional da companhia, sua capacidade de geração de caixa e a expectativa de manutenção de indicadores financeiros robustos durante um ciclo de expansão. A agência projeta que a relação entre os fundos provenientes das operações (FFO) e a dívida da empresa se mantenha acima de 45% até 2028, baseando-se no crescimento da receita, disciplina de custos e aumento da capacidade.
Desempenho financeiro e resiliência
O desempenho da Latam no primeiro semestre de 2026 foi um fator chave para a elevação do rating. Mesmo com um aumento de 80% no custo total de combustíveis, a empresa demonstrou resiliência, registrando um avanço de 27,9% na receita de passageiros no segundo trimestre e um crescimento de 17,5% na receita de passageiros por assento-quilômetro disponível (RASK). Esses dados indicam que a Latam conseguiu repassar o encarecimento dos combustíveis para as tarifas, mantendo sua rentabilidade. A S&P estima que a oferta de assentos-quilômetros disponíveis (ASK) cresça entre 9% e 10%, com taxas de ocupação próximas de 84%.
As projeções da S&P indicam que o EBITDA ajustado da Latam deve alcançar US$ 4,3 bilhões em 2026, com uma receita esperada de US$ 17,116 bilhões, representando uma expansão de aproximadamente 20% em relação a 2025. Para 2027, um crescimento mais moderado do EBITDA é previsto, devido à estabilização dos preços dos combustíveis e à normalização dos preços de mercado. A diversificação das fontes de receita, com o segmento premium representando 29% da receita de passageiros e o programa Latam Pass associado a 67% dessa receita no segundo trimestre de 2026, também contribui para a avaliação positiva. A S&P prevê que a empresa manterá margens EBITDA entre 25% e 28% até 2028.
Expansão da frota e foco no Brasil
A geração de caixa permitirá à Latam financiar um programa de expansão e renovação da frota, com um aumento líquido de 69 aeronaves até 2028, incluindo encomendas da Airbus, Boeing e Embraer. Apesar do aumento de investimentos e dívida bruta, o fluxo de caixa operacional livre é projetado em US$ 1,3 bilhão em 2026 e US$ 1,9 bilhão em 2027. A relação entre dívida ajustada e EBITDA deve permanecer entre 1,5 e 1,6 vez até 2028, dentro da meta de alavancagem líquida da companhia, que é inferior a 2 vezes.
O mercado brasileiro desempenhará um papel crucial na estratégia de crescimento da Latam. A companhia planeja usar aeronaves Embraer E2 para expandir sua malha doméstica e alcançar novos destinos, com 24 aeronaves comprometidas até 2027. Inicialmente, a Latam busca aumentar de 63 para 67 o número de destinos domésticos no Brasil, adicionando oito novas rotas. As primeiras aeronaves E2 devem ser recebidas no quarto trimestre de 2026. A S&P acompanhará a capacidade da Latam de garantir que essa expansão resulte em crescimento rentável no país, mantendo tarifas e taxas de ocupação saudáveis.
A S&P classifica a liquidez da Latam como forte, considerando o histórico da empresa, a expectativa de geração de caixa e a disponibilidade de linhas de crédito. A agência prevê que as fontes de liquidez cobrirão as necessidades financeiras em mais de 1,5 vez nos próximos 12 a 24 meses. A companhia refinanciou sua estrutura de capital, reduziu custos da dívida e prorrogou linhas de crédito. A política de remuneração aos acionistas também foi considerada, com a Latam aprovando um programa de recompra de até 5% das ações em cinco anos, equilibrando essa remuneração com os investimentos necessários para a frota.
A perspectiva estável do rating “BB+” reflete a confiança da S&P na capacidade da Latam de manter um sólido desempenho operacional e uma relação FFO/dívida acima de 45% até 2028. A agência projeta crescimento do PIB brasileiro e estabilidade na inflação e cotação do dólar para os próximos anos. Contudo, um rebaixamento poderá ocorrer se a relação FFO/dívida cair abaixo de 45%, se a margem EBITDA se desviar das projeções ou se houver deterioração da liquidez. Uma nova elevação no rating é considerada improvável nos próximos 12 meses, dependendo da manutenção consistente da relação FFO/dívida em torno de 60%, mesmo em períodos de volatilidade.







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