247 – O Kremlin sinalizou nesta segunda-feira (7) que poderá voltar a participar de negociações conjuntas com Ucrânia e Estados Unidos em busca de um acordo para encerrar a guerra, após uma nova rodada de contatos diplomáticos promovida pelo governo de Donald Trump.

Segundo reportagem de O Globo, a manifestação russa ocorreu um dia depois de os enviados estadunidenses Steve Witkoff e Jared Kushner concluírem encontros com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou, e com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em Kiev.

O porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, afirmou que Moscou não fecha as portas para a retomada de um formato de negociação envolvendo os três países, embora tenha evitado antecipar quando ou onde uma eventual reunião poderia ocorrer.

“Não descartamos a retomada do formato tripartite, mas ainda é cedo demais para falar sobre o local e as datas específicas”, afirmou Peskov.

EUA defendem concessões de Rússia e Ucrânia

Durante passagem por Kiev no domingo, Witkoff afirmou que tanto russos quanto ucranianos precisarão ceder em suas posições para que seja possível alcançar um entendimento.

“Ambas as partes terão de fazer concessões e reduzir suas divergências, e acreditamos que dispomos dos elementos necessários para alcançar isso”, declarou o enviado de Trump durante entrevista coletiva.

Witkoff reconheceu a dificuldade das tratativas, mas disse que Washington pretende insistir na busca de uma saída negociada.

“É muito difícil, mas estamos determinados, isso é importante para nós e esperamos que tudo isso leve a uma solução diplomática.”

A declaração indica que o governo Trump tenta aproximar as posições de Moscou e Kiev depois de um período de estagnação das negociações e de intensificação das operações militares de longo alcance dos dois lados.

Zelensky vê avanços, mas prevê continuidade da guerra

Volodymyr Zelensky classificou de forma positiva os contatos mantidos com os representantes dos Estados Unidos, mas admitiu que o cenário imediato ainda aponta para a continuidade dos combates.

O presidente ucraniano afirmou esperar que seja possível chegar a entendimentos com Washington e contar também com o apoio dos países europeus nas próximas etapas das negociações.

“Se a guerra continuar no inverno, e é assim que parece por enquanto, ainda assim as equipes têm uma avaliação positiva de nossas perspectivas futuras”, afirmou Zelensky.

O líder ucraniano ressaltou ainda que questões consideradas mais sensíveis, sobretudo as disputas territoriais, só poderiam ser solucionadas diretamente pelos chefes de Estado, em “nível de líderes”.

Enviados de Trump tiveram reunião de três horas com Putin

Antes de viajar à Ucrânia, Witkoff e Kushner, genro de Donald Trump, estiveram em Moscou no sábado para uma reunião de três horas com Vladimir Putin. O encontro foi seguido por um jantar com o presidente russo, de acordo com informações divulgadas pelo Kremlin.

O assessor presidencial russo Yuri Ushakov classificou as conversas como “úteis” e afirmou que os representantes estadunidenses demonstraram preparação para discutir alternativas destinadas a encerrar o conflito.

Segundo Ushakov, a delegação americana manifestou interesse em interromper as hostilidades o mais rapidamente possível e apresentou “uma série de considerações sobre possíveis caminhos para um acordo”.

Apesar das avaliações positivas divulgadas após as reuniões, nenhuma das partes anunciou compromissos concretos ou um calendário formal para novas negociações.

Territórios seguem no centro do impasse

Uma das principais questões sem solução continua sendo o futuro dos territórios ucranianos ocupados ou reivindicados pela Rússia.

Trump não informou se a proposta apresentada por seus enviados prevê alguma forma de cessão territorial por Kiev, possibilidade que o presidente estadunidense já havia mencionado anteriormente.

“Temos uma ideia para a paz”, afirmou Trump, sem revelar detalhes do plano.

Uma fonte do governo ucraniano ouvida pela agência AFP sob condição de anonimato afirmou que a nova proposta dos Estados Unidos “não é a mesma coisa que antes” e avaliou que ela “é mais eficaz”.

Os termos, porém, não foram divulgados.

A guerra começou em fevereiro de 2022, quando tropas russas invadiram o território ucraniano. Desde então, Moscou e Kiev mantêm profundas divergências sobre questões territoriais, garantias de segurança e as condições necessárias para um eventual cessar-fogo ou acordo definitivo.