247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta terça-feira (22) da abertura do debate geral da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em sua décima participação na tribuna das Nações Unidas. Lula deve fazer uma defesa da soberania brasileira em meio à tensão com o governo dos Estados Unidos, presidido por Donald Trump, e à preocupação com tentativas de interferência externa no processo eleitoral do país. Como ocorre tradicionalmente desde 1955, o Brasil será o primeiro país a discursar, seguido pelos Estados Unidos.

Antes do pronunciamento, Lula deve se reunir brevemente com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. A expectativa é que o presidente brasileiro envie recados em defesa das instituições democráticas e das eleições, sem ataques diretos nem menções nominais.

A fala deve retomar temas recorrentes da política externa brasileira sob Lula: defesa da soberania, fortalecimento do multilateralismo e cobrança por mudanças na governança global, especialmente no Conselho de Segurança da ONU.

2003: combate à fome e protagonismo do Brasil

Na primeira participação de Lula na Assembleia Geral da ONU, em 2003, o combate à fome foi o principal eixo do discurso. O presidente lançou a iniciativa “Ação contra a Fome e a Pobreza”, voltada à articulação de mecanismos internacionais de financiamento para enfrentar a insegurança alimentar.

A estreia na tribuna também marcou a tentativa de projetar o Brasil como ator global relevante. Lula defendeu a ampliação da voz dos países em desenvolvimento e criticou a concentração de poder nas instâncias internacionais.

Primeiro mandato: reforma da ONU e crítica a guerras unilaterais

Ainda no primeiro mandato, Lula passou a insistir na necessidade de reformar a ONU e, sobretudo, o Conselho de Segurança. A defesa era de uma organização mais representativa, capaz de refletir melhor o peso político e econômico dos países em desenvolvimento.

O discurso brasileiro também reforçou o multilateralismo em oposição a ações unilaterais no cenário internacional, em um contexto marcado pela Guerra do Iraque. A posição buscava associar o Brasil à defesa da negociação diplomática e da solução pacífica de conflitos.

Segundo mandato: nova governança financeira global

Entre 2007 e 2010, Lula levou à ONU a defesa de uma nova governança financeira internacional. Após a crise econômica de 2008, o presidente passou a cobrar maior participação do Sul Global em fóruns como o G20, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.

Naquele período, o Brasil procurava se apresentar como potência emergente e voz de países em desenvolvimento. Lula também defendeu uma ordem internacional multipolar, o desarmamento nuclear e a solução negociada de conflitos.

2023: clima, fome e desigualdade no retorno à tribuna

Ao voltar à Assembleia Geral em 2023, depois de 14 anos fora da Presidência, Lula colocou no centro do discurso a crise climática, o combate à fome e a desigualdade global.

O presidente destacou a importância da Amazônia, denunciou a concentração de riqueza e poder em poucas nações e empresas e buscou reposicionar o Brasil como liderança nas discussões ambientais e sociais.

2024: democracia, desinformação e reforma global

No discurso de 2024, Lula manteve a defesa da reforma da governança mundial, com ênfase no Conselho de Segurança da ONU, e ampliou a abordagem para temas ligados à democracia.

O presidente tratou do enfrentamento à desinformação, do extremismo político, da regulação das plataformas digitais e das ameaças à estabilidade democrática. Também cobrou maior compromisso internacional no combate ao aquecimento global.

2026: soberania brasileira no centro da fala

Neste ano, a expectativa é que Lula concentre o discurso na defesa da soberania brasileira e das instituições democráticas. O tema ganha peso diante da tensão com os Estados Unidos e do receio de interferências externas no processo eleitoral.

A linha esperada para o pronunciamento desta terça-feira se aproxima da adotada em anos anteriores, mas com ênfase particular no contexto político brasileiro. Ao longo de suas participações na ONU, Lula tem usado a tribuna para defender o combate à fome, a redução das desigualdades, a proteção ambiental, a democracia e maior participação dos países em desenvolvimento nas decisões globais.