Eis as acusações divulgadas pela imprensa na terça-feira (1º de setembro de 2026) contra o ministro Alexandre de Moraes. Foram baseadas em relatório da Polícia Federal.

Os principais pontos relatados foram:

1 – Moraes fez alteração em um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa.

2 – Daniel Vorcaro pediu ajuda a Moraes para fugir ou atrasar investigações. O pedido ocorreu dois dias antes de sua prisão (15 de novembro de 2025).

3 – Moraes tambem teria usado sua posição para favorecer Vorcaro em “outras” investigações.

4 – Além do contrato de R$ 131 milhões, surgiram menções a cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos de Moraes e cotas de jato/helicóptero ligadas ao escritório da esposa.

5 – A PF apontou seis encontros entre Moraes e Vorcaro na casa dele

Resumo da ópera: não foram dados por Vorcaro aos Moraes nem imóvel, nem helicóptero, nem jatinho, nem cartões e Vorcaro foi preso.

Enfim, tudo isso só existe em “prints” de Vorcaro que podem ter sido inventados. “Ah, Eduardo, mas por que :orcaro inventaria esses ‘prints’ contra Moraes?”.

O banqueiro que decuplicou seu patrimonio em um par de anos é esperto o suficiente para deixar comprometidos aqueles que tentava aliciar plantando “prints” no próprio celular.

Pense: Moraes era, à época dos fatos, o todo-poderoso do STF. Se fosse julgar Vorcaro, encontraria a si mesmo comprometido no celular do banqueiro.

Além disso, para sermos justos, enumeremos ministros do STF que também têm relações próprias ou de parentes com Vorcaro.

1- Kassio Nunes Marques tem o filho Kevin, que recebeu dinheiro via consultoria a Vorcaro e atuou em recursos do banqueiro no STF.

2- Luiz Fux tem o filho Rodrigo Fux que mantém relação social com Vorcaro (esteve em camarote VIP do banqueiro no Carnaval de 2025 e esteve em outro evento pago pelo banqueiro).

3 – Empresa da família de Dias Toffoli recebeu pagamentos de fundo ligado a Vorcaro que comprou parte dessa empresa.

Pergunta: por que só Moraes?

O presidente do STF andou insinuando que pode levar ao Plenário do Tribunal a proposta de investigar Moraes. Pode, mas não passa. E muito menos no Senado.

Além disso, Fachin insinuou que levará ao mesmo Plenário o abuso de autoridade de Mendonça, que mandou a PF investigar Moraes sem ter poder para tanto.

Antes de prosseguir, informo que, na madrugada de terça (1/9) para quarta (2/9), li as 218 páginas do relatório da Polícia Federal feito por ordem irregular de Mendonça.

Investigadores selecionados por Mendonça o escreveram. E os jornais Valor Econômico e Folha de São Paulo relatam que os policiais que elaboraram o relatório o consideram abuso de poder de Mendonça.

O relatório apenas enumera achados de “prints” de tela de supostas mensagens de Vorcaro para Moraes que “fundamentaram” as denúncias que a imprensa fez ao ministro.

Não houve perícia que ligasse os “prints” ao telefone de Moraes. Ponto. O relatório deixa claro que nada foi periciado. Não há elementos para acusar o ministro.

A investigação sobre o envio das mensagens de Vorcaro a Moraes seria um prêmio ao abuso de Poder de Mendonça. O Plenário do STF irá rechaçar. Moraes tem maioria…

Já para Mendonça, a situação é outra. Certamente o relatório irregular que obrigou a PF a fazer será anulado. E ele se torna suspeito para relatar o caso Master.

Até que tudo isso ocorra, a eleição terá passado e Flávio Bolsonaro terá usado o episódio para “provar” que o pai é “inocente”.

Os efeitos disso na disputa eleitoral entre o filho 01 e Lula são imprevisíveis. O risco de as direitas conseguirem instrumentalizar a “obra” de Mendonça é real.

Mendonça sabe que nada acontecerá, sabe que sua investigação foi ilegal. E sabe que Moraes tem apoio da maioria do Tribunal; Mendonça só queria ajudar Flávio, um zumbi eleitoral. Conseguirá?