247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, levou o escândalo envolvendo o Banco Master para o centro do confronto eleitoral nesta sexta-feira (18), durante ato de campanha em Guarulhos, na Grande São Paulo. Em seu discurso, Lula associou a trajetória da instituição financeira ao governo de Jair Bolsonaro (PL) e destacou que Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, acabou preso durante sua atual gestão.
Ao lado de aliados, Lula procurou estabelecer um contraste entre os dois governos ao abordar o Master e também mencionou as investigações que alcançam seu adversário na corrida presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL).
“Quem legalizou o banco Master foi o Bolsonaro. Quem fechou o banco Master foi o Lula e o Haddad”, afirmou Lula, ao lado do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo.
O presidente elevou o tom ao falar de Vorcaro e atribuiu aos adversários políticos responsabilidade pela ascensão do ex-banqueiro.
“Eles criaram um banqueiro ladrão que deu um golpe de R$ 60 bilhões. Esse banqueiro deles, no meu governo, virou prisioneiro”, declarou.
Vorcaro está preso e é investigado por suspeitas de fraudes no sistema financeiro. As responsabilidades criminais relacionadas às diferentes frentes do caso Master continuam sendo apuradas pelas autoridades.
Caso Master entra no centro da campanha
O escândalo financeiro ganhou peso crescente na corrida presidencial de 2026, atingindo personagens do mundo político e do Judiciário. A crise também passou a ocupar parte relevante do discurso dos candidatos.
Lula vem utilizando a trajetória do Master para confrontar seus adversários. Nesta sexta-feira, o presidente também abordou o caso do INSS ao rebater acusações dirigidas à sua família e mencionar Flávio Bolsonaro.
“Eles diziam que meu filho era sócio do Careca [do INSS, Antônio Carlos Camilo Antunes], e quem tinha escritório com o Careca era o Flávio Bolsonaro”, afirmou o presidente em referência à revelação de que o senador dividia a sala de um escritório em Brasília com Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, que foi preso pela Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura fraudes milionárias contra beneficiários do INSS. .
Flávio Bolsonaro e o projeto Dark Horse
Uma das frentes mais sensíveis politicamente do caso Master envolve o projeto “Dark Horse”, produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro. Documentos tornados públicos no âmbito das investigações revelaram que Flávio Bolsonaro é investigado por supostos crimes relacionados às negociações para o financiamento do filme.
André Mendonça determinou, em julho, a abertura de um inquérito contra Flávio para investigar suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas aos repasses destinados à produção. A abertura da investigação havia sido solicitada pela Polícia Federal e recebeu aval da Procuradoria-Geral da República. Flávio nega irregularidades.
O montante negociado para o projeto chegou a aproximadamente R$ 130 milhões. É necessário, porém, distinguir o valor total discutido nas negociações daquele cuja transferência foi identificada pelos investigadores.
A retirada de parte do sigilo das apurações tornou pública a condição de Flávio como investigado e ampliou a repercussão eleitoral do caso Master.
Alckmin e Tebet reforçam discurso
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), candidato novamente ao cargo na chapa de Lula, e Simone Tebet (MDB), candidata ao Senado, também exploraram politicamente o caso durante o ato em Guarulhos.
Tebet afirmou que “os do lado de lá” estão “atolados até o pescoço” no que classificou como “o maior escândalo de corrupção da história do país”.
Alckmin, por sua vez, direcionou suas críticas a Flávio Bolsonaro e às relações investigadas entre o candidato do PL e Vorcaro.
“Flávio Bolsonaro falou que não conhecia Vorcaro. Mentira! Falou que nunca o encontrou. Mentira! Falou que nunca pediu dinheiro pra ele. Mentira! Foram R$ 130 milhões de reais”, declarou o vice-presidente.
O valor mencionado por Alckmin corresponde aproximadamente ao montante negociado para o financiamento de “Dark Horse”. A investigação procura esclarecer, entre outros pontos, os recursos efetivamente transferidos e seu destino.
Investigação sobre Flávio está no STF
O avanço das investigações do Banco Master colocou as relações entre Flávio e Vorcaro sob escrutínio do Supremo Tribunal Federal.
Em setembro, a retirada de parte do sigilo dos procedimentos tornou públicos documentos referentes ao inquérito sobre o candidato do PL. O caso investiga possíveis crimes relacionados às operações financeiras envolvendo o projeto “Dark Horse”. Flávio nega ter cometido irregularidades.
O levantamento dos sigilos também ampliou a crise no STF. O presidente da Corte, Edson Fachin, determinou a divulgação de documentos dos procedimentos relacionados ao Master, preservando informações referentes a diligências cujo sigilo seja necessário para não prejudicar as investigações.






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