A diminuição significativa do preço internacional do petróleo em junho teve efeito limitado nos valores dos combustíveis no Brasil. Essa é a conclusão do Boletim de Preços dos Combustíveis nº 38, divulgado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep). O relatório indica que a queda de 19,6% no preço do barril de Brent resultou em uma redução de apenas R$ 0,10 por litro no diesel, enquanto a gasolina e o gás de cozinha (GLP) apresentaram poucas mudanças. A redução das tensões no Oriente Médio, após um acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, contribuiu para a baixa das cotações internacionais na segunda quinzena de junho.

No entanto, o impacto nos postos brasileiros foi pequeno. Fatores internos continuam a amortecer tanto as altas quanto as baixas dos preços internacionais. Durante o período de conflito, o Brasil conseguiu mitigar a elevação do petróleo graças à política de preços da Petrobras, ao aumento da utilização das refinarias da estatal – que subiu de 87,5% em janeiro para 96,8% em abril – e às medidas fiscais do governo federal para reduzir custos.

Impacto nos preços e margens de distribuição

Mesmo com a queda do Brent, a gasolina teve uma variação mínima, com o preço médio nacional caindo de R$ 6,64 para R$ 6,62 por litro em junho, uma redução de 0,3%. O diesel S10 registrou uma queda de 1,4%, passando de R$ 7,18 para R$ 7,08 por litro. O etanol foi o combustível com a maior redução, recuando 4,4%, enquanto o GLP permaneceu estável, com uma leve queda de 0,2%.

Segundo a avaliação do Ineep, um dos principais motivos para a gasolina não ter tido uma redução maior foi o aumento da margem bruta de distribuição e revenda. Enquanto o preço do produtor diminuiu 27,4% em junho, a margem das distribuidoras e postos elevou-se em 78,5%, atingindo R$ 1,66 por litro, o maior valor já registrado para esse componente da formação de preço. Consequentemente, a redução dos custos não foi totalmente repassada ao consumidor final.

No caso do diesel, o cenário foi diferente. Embora a Petrobras tenha reduzido o preço nas refinarias em 9,6% em 1º de junho, parte desse efeito foi neutralizada pela reoneração do PIS/Cofins, que voltou a incidir sobre o combustível após um período de desoneração. Ainda assim, o diesel registrou alguma queda nos postos.

Comparativo com o Preço de Paridade de Importação (PPI)

O estudo também comparou os preços praticados pelas refinarias com o Preço de Paridade de Importação (PPI), calculado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). A Petrobras se destacou como a única empresa a comercializar gasolina, diesel e GLP abaixo da referência internacional. No final de junho, a gasolina da estatal estava 16,4% abaixo do PPI; o diesel, 21,2% abaixo; e o GLP, 4,1% inferior à paridade de importação. Por outro lado, refinarias privadas mantiveram preços entre 7% e 54% acima do PPI, dependendo do combustível.

Para o Ineep, os dados de junho indicam que os mecanismos usados para proteger os consumidores durante as altas do petróleo também retardam a chegada das quedas das cotações internacionais às bombas. O instituto ressalta que a continuidade dos investimentos na capacidade nacional de refino e a manutenção de políticas públicas voltadas ao abastecimento são essenciais para diminuir a vulnerabilidade externa do país e assegurar maior estabilidade nos preços dos combustíveis a longo prazo.