A mais recente pesquisa Genial/Quaest revela uma "fragilidade" na candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), conforme análise do diretor da Quaest, Felipe Nunes. Em publicação na quarta-feira (15), Nunes destacou o desentendimento com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a queda na intenção espontânea de votos do senador e o avanço do presidente Lula (PT) como indicativos das dificuldades enfrentadas pela campanha do PL.

A pesquisa nacional mostra, pela primeira vez desde dezembro de 2024, um saldo positivo na aprovação do trabalho do presidente Lula, atingindo 48% de aprovação contra 47% de desaprovação, com os índices tecnicamente empatados considerando a margem de erro. Para Felipe Nunes, a "fragilidade da campanha de Flávio pode ser justificada por alguns fatores", sendo o conflito público com Michelle Bolsonaro um dos mais importantes, conhecido por 49% dos entrevistados.

Lula avança, Flávio recua em intenção de voto

Na intenção espontânea de voto, onde os entrevistados não recebem uma lista de nomes, Lula cresceu três pontos, alcançando 26%, enquanto Flávio Bolsonaro recuou três pontos, chegando a 14%. A parcela de eleitores indecisos diminuiu de 56% para 54%. A pesquisa demonstra um distanciamento de Lula em relação a Flávio nesse quesito, com a diferença passando de seis pontos em abril para 12 pontos em julho.

No cenário estimulado para o primeiro turno, Lula aparece com 40% das intenções de voto, e Flávio Bolsonaro com 28%, ampliando a diferença para 12 pontos. A rejeição a Flávio é a mais alta entre os nomes analisados, com 57% dos que o conhecem descartando o voto nele. Em um possível segundo turno, Lula venceria Flávio por 45% a 37%, uma vantagem que cresceu dois pontos em relação à rodada anterior.

Impacto do conflito com Michelle Bolsonaro

O diretor da Quaest apontou o conflito com Michelle Bolsonaro como um fator crucial para o desgaste de Flávio. Quase metade dos brasileiros (49%) soube dos vídeos em que a ex-primeira-dama criticou o senador. A pesquisa indica que 45% dos entrevistados consideraram que Michelle agiu corretamente ao tornar o desentendimento público. Mesmo entre eleitores de direita não bolsonaristas, 35% veem a atitude de Michelle como acertada, e entre bolsonaristas, esse índice é de 20%. Questionados sobre quem tinha mais razão no desentendimento, 42% dos brasileiros concordaram com Michelle, contra 18% com Flávio.

A pesquisa também abordou a percepção sobre a moderação de Flávio Bolsonaro. O percentual de pessoas que o consideram mais moderado do que o restante da família caiu de 39% em maio para 29% em julho. Essa perda de imagem pode dificultar a expansão de sua candidatura para além do eleitorado bolsonarista fiel. A Quaest ouviu 2.004 pessoas presencialmente em 120 municípios, entre os dias 10 e 13 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é BR-07181/2026.