A bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) no Senado votou majoritariamente contra a nomeação de Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 22 de fevereiro de 2017. Naquela época, o então presidente Michel Temer (MDB) havia indicado Moraes para ocupar uma cadeira na Corte.
Gleisi Hoffmann (PR), que era a líder da bancada petista, manifestou o descontentamento do partido com a indicação durante a sessão. Ela expressou que a legenda “lamentava muito a indicação” de Moraes. Um dos principais argumentos levantados era o histórico de Moraes no governo Temer, onde atuou como Ministro da Justiça antes de ser indicado ao STF, um cargo de confiança do presidente.
Críticas à trajetória e alinhamento político
Para o PT, essa trajetória profissional levantava questionamentos sobre a independência do indicado e seu perfil político. Gleisi Hoffmann também criticou o que considerou o caráter partidário e militante da atuação de Moraes, afirmando que preocupava o partido “o nível partidário, político, militante do indicado, sr. Alexandre de Moraes, para o cargo do Supremo Tribunal Federal”.
A senadora também mencionou preocupações com manifestações atribuídas a Moraes a respeito de movimentos sociais e mobilizações políticas. Segundo Hoffmann, as manifestações do então indicado em relação aos movimentos sociais, articulações de rua e partidos de oposição, especialmente o Partido dos Trabalhadores, eram motivos de alerta.
Aprovação da indicação e mudança de contexto
À época, Alexandre de Moraes era politicamente associado a setores de centro-direita e possuía uma carreira profissional em administrações alinhadas a essa vertente. Apesar da resistência da bancada petista, o Senado aprovou sua indicação por 55 votos a 13. Ele assumiu a vaga deixada pela aposentadoria do ministro Teori Zavascki, durante o governo Temer.
A posição inicial do PT em relação a Moraes contrasta significativamente com a percepção e o relacionamento que o partido e o presidente Lula desenvolveram com o ministro nos anos seguintes. A trajetória posterior de Moraes no STF, especialmente sua atuação em processos relacionados a ataques às instituições democráticas por parte de integrantes do bolsonarismo, alterou drasticamente o contexto político de sua relação com o Partido dos Trabalhadores e com o atual presidente da República.







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