247 – A produção industrial brasileira cresceu 0,2% em julho de 2026 na comparação com junho, mas a Fiesp avalia que o resultado não representa uma retomada do dinamismo do setor. A entidade mantém projeção de avanço de 1,4% da indústria neste ano, sustentado principalmente pela atividade extrativa, enquanto espera estabilidade da indústria de transformação.

Segundo análise da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o desempenho de julho ocorreu depois de uma queda de 1,6% em junho, considerando os dados com ajuste sazonal. O resultado ficou próximo da estimativa da entidade, de alta de 0,3%, mas abaixo da expectativa de mercado, que apontava crescimento de 0,5%.

A melhora na margem foi puxada pela indústria de transformação, que avançou 0,5% no mês. A indústria extrativa seguiu na direção oposta e recuou 1%.

Na comparação com julho de 2025, entretanto, a produção industrial caiu 0,5%, interrompendo uma sequência de quatro meses consecutivos de crescimento nessa base de comparação.

No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, a indústria registra expansão de 1,1%. O desempenho mostra forte diferença entre os segmentos: a indústria extrativa cresceu 6,7%, enquanto a transformação avançou apenas 0,1%.

Dos 25 ramos industriais pesquisados, 13 tiveram aumento da produção em julho na comparação com o mês anterior. O maior impacto positivo veio do segmento de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, que cresceu 12,2%.

Entre as 12 atividades que apresentaram retração, a indústria extrativa, com queda de 1%, exerceu a principal influência negativa sobre o resultado agregado.

As grandes categorias econômicas também mostraram desempenho desigual. A produção de bens de consumo duráveis avançou 3,2%, enquanto bens de capital cresceram 2,4%. Bens de consumo semi e não duráveis registraram alta de 0,5%.

O único resultado negativo entre as grandes categorias foi observado nos bens intermediários, cuja produção caiu 0,2% ante junho.

Fiesp vê demanda enfraquecida

Apesar da volta ao campo positivo em julho, a Fiesp considera que os indicadores ainda não permitem falar em recuperação consistente da atividade industrial.

Segundo a entidade, pesquisas recentes mostram enfraquecimento da demanda, estoques em níveis superiores aos considerados desejáveis e piora das expectativas empresariais para os próximos meses.

A preocupação é maior em relação à indústria de transformação. Na avaliação da Fiesp, a perda de força desse segmento tornou-se mais disseminada ao longo de 2026.

A indústria extrativa tende a apresentar maior resistência à desaceleração, segundo a entidade, por estar associada a projetos de longo prazo e à demanda internacional por commodities. Esse segmento deve continuar sendo a principal fonte de crescimento industrial neste ano.

Risco de queda na transformação aumenta

A Fiesp também aponta deterioração das condições enfrentadas pela indústria de transformação. Entre os principais fatores estão o custo elevado do crédito, o endividamento das famílias, a menor força da demanda doméstica, o aumento da concorrência com produtos importados e tarifas mais altas incidentes sobre exportações.

Nesse ambiente, a probabilidade estimada pela entidade de retração da indústria de transformação em 2026 aumentou de 33,7% no primeiro trimestre para 49,4% no segundo trimestre.

A avaliação é de que medidas de estímulo fiscal e ampliação da oferta de crédito não têm sido suficientes para interromper a perda de dinamismo da atividade industrial.

Esse quadro persiste mesmo diante da manutenção da renda das famílias em nível elevado e do crescimento dos investimentos realizados por governos estaduais e municipais.

Indústria extrativa deve sustentar crescimento em 2026

A Fiesp projeta crescimento de 1,4% da produção industrial brasileira em 2026, depois da expansão de 0,6% registrada em 2025.

A estimativa, porém, depende principalmente da indústria extrativa, cuja produção deve avançar 6,9% no ano.

Para a indústria de transformação, a expectativa é de estabilidade em 2026, depois de uma queda de 0,2% em 2025. A própria entidade ressalta que a projeção para o segmento apresenta viés de baixa diante do enfraquecimento da atividade e da piora do balanço de riscos.