247 – O presidente da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), Maurício Velloso, criticou nesta quarta-feira (16) as barreiras impostas pela União Europeia (UE) a produtos brasileiros e defendeu ampliar o diálogo comercial entre o bloco e o Brasil. As declarações foram feitas durante o 6º Fórum Pecuária Brasil, promovido pela Datagro, em São Paulo, segundo o Broadcast, da Agência Estado.
“Continuaremos a receber pedra, principalmente de quem não se faz eficiente, que é o caso específico da União Europeia”, afirmou Velloso. O dirigente classificou a postura do bloco como “patética” e acusou a UE de tentar manter uma relação “colonialista” com o Brasil.
As críticas ocorrem após a União Europeia passar a exigir, desde 3 de setembro, o cumprimento de regras relacionadas ao uso de medicamentos antimicrobianos na produção animal. A mudança resultou na retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar ao bloco carne bovina, de frango e suína, além de mel, pescado e ovos. O governo brasileiro declarou estar “profundamente preocupado” com a medida e mantém negociações técnicas e políticas para tentar reverter a suspensão.
A reação às exportações brasileiras, porém, não é uniforme na Europa. O Reino Unido, que deixou a UE após o Brexit, manteve as compras de carne do Brasil e decidiu realizar uma auditoria própria sobre o sistema sanitário brasileiro. O processo deve ser concluído até fevereiro de 2027, quando o país avaliará a manutenção da abertura do mercado.
Na Itália, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, defendeu nesta semana a redução das barreiras comerciais ao Brasil e a busca de uma solução diplomática para o impasse. Entidades italianas de produtores, por outro lado, apoiaram a suspensão adotada pela União Europeia sob o argumento de reciprocidade comercial.
Velloso afirmou que a diversificação dos destinos da carne bovina reduz a dependência brasileira de mercados específicos. Segundo ele, o produto chegou a 177 países em 2025. “Todo tipo de carne, da ponta do rabo até a ponta do focinho, serviu para 177 países”, disse.
Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) citados na reportagem mostram que o Brasil exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina para 177 países em 2025, alta de 20,9% em relação a 2024. A receita das vendas externas chegou a US$ 18 bilhões.
A China liderou as compras, com 1,68 milhão de toneladas, seguida pelos Estados Unidos, com 271,8 mil toneladas. Chile, com 136,3 mil toneladas, União Europeia, com 128,9 mil toneladas, e Rússia, com 126,4 mil toneladas, completaram a relação dos cinco principais destinos.
O presidente da Assocon também afirmou que o confinamento de bovinos no Brasil aumentou sua eficiência e passou a servir de referência para outros países. Segundo Velloso, produtores brasileiros que anteriormente utilizavam Estados Unidos e Austrália como modelos desenvolveram sistemas próprios e elevaram o nível técnico da atividade.
Velloso defendeu ainda uma coordenação maior entre produtores, indústria e os demais integrantes da cadeia da carne bovina. Para o dirigente, uma atuação mais integrada pode ampliar a competitividade do setor e ajudar a preservar margens positivas para os pecuaristas diante do risco de novas barreiras sanitárias em mercados externos.






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