247 – Mensagens extraídas do telefone celular do banqueiro Daniel Vorcaro mostram que o empresário demonstrou forte preocupação e cobrou repetidamente executivos e funcionários do Banco Master em razão de atrasos nos repasses destinados ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Nas conversas obtidas no âmbito das investigações, o então controlador da instituição financeira classificou o contrato firmado com a banca jurídica como o “contrato mais importante que temos” e deu ordens expressas para que as parcelas mensais não sofressem qualquer tipo de atraso. “Esse Barci de Moraes por favor não deixe atrasar um dia, coloca no seu controle. É o pgto mais importante que temos”, instruiu o banqueiro em uma das mensagens.
As apurações apontam que a primeira cobrança registrada ocorreu em 8 de fevereiro de 2024. Na ocasião, Vorcaro procurou Fabiano Zettel, seu cunhado e homem de confiança no banco. Zettel, que nega envolvimento em fraudes, foi alvo da Operação Compliance Zero e cumpre prisão desde março. No diálogo, o banqueiro solicitou o envio do documento e questionou o vencimento da parcela inicial: “Me manda Barci de Moraes assinado? Quando era o primeiro pagamento?”.
Após Zettel responder que o vencimento ocorria “até o 5 dia útil”, Vorcaro constatou a pendência financeira e ordenou checagens internas com o tesoureiro do Master, Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, que também figura como investigado pela Polícia Federal. “Então já passou. Não foi feito?”, questionou Vorcaro, completando: “Confirma com Ângelo se não foi pago”. Na mesma data, o banqueiro perguntou diretamente ao tesoureiro: “Pagou aquele contrato 3mm?”. O funcionário confirmou a operação e enviou o comprovante referente ao repasse no valor exato de R$ 3.422.268,14 em favor do escritório Barci de Moraes.
Em 15 de março de 2024, pouco mais de um mês após o primeiro episódio, o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria — apontado por investigadores como o responsável pela aproximação entre o ministro do STF e o dono do Banco Master — procurou Vorcaro para alertar sobre novas cobranças decorrentes de atrasos nos pagamentos. Durante o contato, Faria pediu o número do funcionário encarregado de efetuar as transferências da instituição, recebendo de Vorcaro os dados de contato do tesoureiro Ângelo Silva. Em resposta, o ex-ministro escreveu: “Passei pra ele”. De acordo com a Polícia Federal, o contato do tesoureiro teria sido repassado por Faria ao próprio integrante da Suprema Corte.
A cobrança promovida por Fábio Faria gerou reação imediata no controlador do Banco Master. Vorcaro enviou uma sequência de oito mensagens consecutivas ao tesoureiro Ângelo Silva exigindo a quitação imediata e advertindo sobre eventuais consequências negativas para a instituição: “Angelo. Pqp. Não pagaram Barci de Moraes. Não to entendendo isso. Contrato mais importante que temos te pedi pra não falhar. Surreal. Vamos ter problemas”. O funcionário respondeu que iria checar a situação, e Vorcaro determinou: “Manda pagar agora”.
Minutos depois da conversa com a tesouraria, o banqueiro acionou a superintendente de retaguarda da tesouraria do Master, Romy Goerck Gentina Klenquen, exigindo prioridade total e rigor no acompanhamento dos repasses de R$ 3 milhões. Após a funcionária garantir que realizava o procedimento de forma imediata, Vorcaro dispensou trâmites formais para assegurar a pontualidade: “Mas todo mês acompanha isso pra mim. Pode pagar sempre, sem nota. Do jeito que for”.
Os registros do aparelho celular também revelam orientações de sigilo sobre a documentação física mantida no banco. Em abril de 2025, o banqueiro questionou o tesoureiro sobre a localização do contrato original e ordenou que o acesso fosse restrito: “Ninguém ter acesso. Vc pegar e não deixar ninguém ter acesso a isso!”. O funcionário comprometeu-se a localizar e resguardar o documento no dia seguinte.
Em outro trecho das mensagens, datado de outubro de 2025 — um mês antes de ter sua prisão efetuada pela Polícia Federal —, Vorcaro demonstrou contrariedade ao saber que uma das parcelas havia sido quitada por meio de transferência instantânea. Ao ser informado pelo superintendente-executivo de tesouraria, Alberto Felix de Oliveira Neto, de que havia sido efetuado um Pix para os mesmos dados bancários cadastrados para transferências eletrônicas tradicionais, o banqueiro advertiu: “Não é bom”.
De acordo com dados constantes da declaração de Imposto de Renda da instituição financeira enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado Federal, o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes recebeu do Banco Master um montante acumulado de R$ 80.223.653,84 até o mês de outubro de 2025.






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