247 – A Polícia Federal apreendeu US$ 27.735, € 1.555 e 890 liras turcas em espécie durante o cumprimento de medidas judiciais em um escritório ligado ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), candidato à reeleição. Os valores foram localizados durante a quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 7 de maio, no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.

Os dólares equivalem a aproximadamente R$ 141,8 mil, enquanto os euros correspondem a R$ 9,2 mil e as liras turcas, a cerca de R$ 93. O total se aproxima de R$ 151 mil.

Depois da apreensão, o dinheiro foi depositado em uma conta judicial e permaneceu à disposição da Justiça, segundo o relatório policial.

A operação que atingiu Ciro Nogueira aprofundou uma investigação sobre suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Um dos pontos centrais da investigação é a relação entre Ciro e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo a PF, elementos reunidos no inquérito indicariam que essa ligação poderia ter ido além de uma relação pessoal ou da atuação política regular, envolvendo possíveis benefícios econômicos e interesses políticos.

Os investigadores apontam, entre as suspeitas, repasses mensais de pelo menos R$ 300 mil ao senador, com referências a pagamentos que teriam alcançado R$ 500 mil. Mensagens reproduzidas na decisão judicial mostram uma conversa na qual Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, pergunta se os pagamentos relacionados a “Ciro” deveriam continuar em R$ 500 mil ou poderiam ser reduzidos para R$ 300 mil.

A apuração também menciona uma operação envolvendo participação societária estimada em aproximadamente R$ 13 milhões que teria sido adquirida por R$ 1 milhão, além da disponibilização gratuita de um imóvel de alto padrão e do pagamento de hospedagens, deslocamentos e outras despesas de viagens internacionais. A PF também identificou indícios de despesas pessoais do senador custeadas por Vorcaro.

A quinta fase da Compliance Zero também teve como alvo Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro, que foi preso. Na decisão que autorizou a operação, Mendonça apontou a existência de elementos que indicariam um possível arranjo entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro envolvendo pagamentos e iniciativas legislativas.

Entre os episódios analisados está a atuação de Ciro em uma proposta relacionada à autonomia financeira do Banco Central. Em uma das conversas obtidas pelos investigadores, Vorcaro afirmou que a proposta apresentada pelo senador “saiu exatamente como mandei”.

Após a operação de maio, Ciro Nogueira afirmou publicamente ser alvo de “perseguição política” e disse que tentavam atingir sua reputação em um ano eleitoral.

A Compliance Zero foi iniciada em novembro de 2025 e passou a investigar diferentes núcleos relacionados ao Banco Master e a suspeitas de irregularidades financeiras. Em julho deste ano, a Polícia Federal já havia deflagrado a décima fase da operação, destinada a apurar, entre outros pontos, suspeitas de interferência em investigações e crimes relacionados ao sistema financeiro.