O Paraná começou a implementar uma nova tecnologia para o rastreamento do câncer de colo de útero em sua rede pública de saúde. Em substituição ao tradicional exame Papanicolau, o estado está introduzindo o teste molecular de DNA-HPV, considerado mais avançado. A iniciativa teve início durante a campanha Outubro Rosa, com a distribuição de mais de 300 mil kits do novo exame. O objetivo é que essa metodologia substitua progressivamente o exame de citologia convencional no Sistema Único de Saúde (SUS) paranaense.

Até o momento, 29 mil kits já foram entregues e estão sendo utilizados em 38 cidades do Paraná. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) planeja expandir o alcance do novo exame para 255 municípios até o final deste ano, ampliando o acesso da população feminina a essa tecnologia mais moderna.

Maior precisão e detecção precoce

A transição para o teste de DNA-HPV representa um avanço significativo na saúde da mulher. Essa metodologia molecular possui uma capacidade de 60% a 70% maior de identificar lesões que podem evoluir para câncer de colo de útero no futuro, em comparação com o Papanicolau. Essa maior precisão permite um diagnóstico precoce mais assertivo, o que é crucial para reduzir a taxa de mortalidade associada à doença.

Os testes de DNA-HPV estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). O público-alvo principal são mulheres com idade entre 25 e 64 anos. Uma vantagem importante do novo método, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), é que se o resultado for negativo, a mulher só precisará repetir o exame a cada cinco anos, otimizando a rotina de exames preventivos. Nas localidades onde a nova tecnologia ainda não foi implementada, o Papanicolau continua sendo realizado normalmente.

Plano de erradicação e vacinação

A modernização dos exames preventivos faz parte de um plano do Governo do Paraná que busca zerar os casos de câncer de colo de útero até 2030. Além dos exames, a Carreta Saúde da Mulher continua circulando pelo estado, oferecendo mamografias e ultrassonografias gratuitas para reforçar o cuidado clínico.

Apesar da importância dos exames preventivos, as autoridades de saúde enfatizam que a vacinação contra o HPV permanece como a principal medida de prevenção contra o câncer de colo de útero. O imunizante está disponível gratuitamente em todas as salas de vacina para meninas e meninos de 9 a 14 anos, e também para o público de 15 a 19 anos. Mesmo sendo uma doença prevenível, o câncer de colo de útero ainda é o quarto tipo de tumor que mais causa mortes em mulheres no Brasil.