247 – Os senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Rogério Marinho (PL-RN) protagonizaram um duro bate-boca nesta quarta-feira (2), durante debate realizado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal sobre a proposta de fim da escala de trabalho 6×1.

A troca de acusações entre os parlamentares teve início após o líder da oposição, senador Rogério Marinho, declarar que a redução da jornada de trabalho sem a equivalente diminuição dos salários provocaria o aumento dos custos das empresas, elevando, em consequência, os preços de produtos e serviços prestados à população.

Marinho criticou a ausência de medidas de compensação para os empregadores e sustentou que seria inviável manter os salários com o corte de horas de trabalho sem gerar reflexos econômicos negativos. “É óbvio, é ululante, é claro, é transparente, é cristalino. E quem diz o contrário ou tem má-fé ou é burro”, declarou Marinho. “Isso indigna. É você aproveitar um momento como esse para subverter o país em nome de um projeto de poder”, completou o senador do PL.

Reação de Omar Aziz e críticas ao PL

O senador Omar Aziz reagiu prontamente às declarações do oposicionista, ressaltando que o tom utilizado por Marinho atingia diretamente os parlamentares favoráveis ao fim da escala 6×1, incluindo integrantes do próprio partido de Marinho, o PL.

“Eu acho que o senador Rogério Marinho se exaltou, chamou gente de burro, leviano e incompetente. Palavras duras para colegas”, afirmou Aziz. O parlamentar amazonense relembrou o apoio que deputados da sigla de Marinho deram à pauta na Câmara dos Deputados e questionou: “Vossa Excelência está dizendo que no seu partido tem gente leviana, incompetente e burra?”.

Além de rebater os adjetivos, Omar Aziz acusou o líder da oposição de atuar exclusivamente em defesa dos interesses do setor empresarial. “A sua PEC é, sim, um projeto para patrões”, disparou Aziz, apontando que as emendas apresentadas pela oposição não trazem avanços em benefícios para a classe trabalhadora e abrem margem para negociações individuais entre empregados e empregadores. “Acordo individual, senador Rogério, é assédio ao trabalhador, sim. Acordo coletivo, não. Eu não defendo assédio ao trabalhador, eu defendo o acordo coletivo”, pontuou o senador do PSD.

Troca de farpas e o cenário dos EUA

Em resposta, Marinho contestou a argumentação de Aziz referente ao funcionamento do mercado de trabalho nos Estados Unidos e subiu o tom: “Estude mais um pouquinho”.

Aziz respondeu de imediato, denunciando que os trabalhadores latino-americanos no mercado estadunidense são submetidos a condições degradantes e tratados “como escravos”. A discussão se acirrou com sucessivas interrupções de ambos os lados. Marinho insistiu para que Aziz “estudasse mais” e acusou o colega de embarcar na “onda do Robin Hood” ao adjetivar a postura da oposição como defensora de uma “PEC dos patrões”.

O líder da oposição defendeu que o debate sobre a jornada precisa avaliar os impactos no mercado formal de trabalho. “E o desemprego? E a informalidade? […] A discussão precisa ser feita com racionalidade”, sustentou Marinho.

Intervenção do presidente da CCJ e encerramento

Após a intensa troca de acusações, Rogério Marinho admitiu ter se excedido na forma, embora tenha mantido o posicionamento do seu discurso. “Reconheço que me exaltei”, afirmou, acrescentando que incluiria o termo “inocência” aos adjetivos dirigidos aos que defendem a redução da jornada.

O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), precisou intervir no embate para apresentar dados sobre o atual índice de desemprego no Brasil.

Ainda assim, Omar Aziz reiterou sua posição de que as alterações pleiteadas por Marinho desvirtuavam o objetivo principal da proposta em debate. “É a PEC do patrão”, reforçou Aziz. Após novas provocações mútuas sobre quem deveria estudar mais, o senador amazonense encerrou o bate-boca afirmando que a discussão “não leva a nada”, permitindo que os trabalhos da comissão tivessem prosseguimento com os demais senadores presentes.