A menos de duas semanas da eleição presidencial de 2026, analistas apontam que a preparação para contestar uma possível vitória de Luiz Inácio Lula da Silva já está em andamento. Assim como o ataque de 8 de janeiro de 2023 não começou naquele dia, o próximo movimento golpista também teria início antes, por meio de redes coordenadas, uso de inteligência artificial e respaldo internacional do presidente dos Estados Unidos Donald Trump.

Investigações sobre a tentativa de golpe que culminou na invasão da Praça dos Três Poderes revelaram um plano denominado Punhal Verde e Amarelo, que previa o assassinato de Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes. Esse documento, anterior à posse, indicaria até onde a conspiração estaria disposta a chegar.

Operação digital

Levantamentos recentes identificaram uma rede de 19 contas ligadas a apoiadores de Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira. Entre 5 e 9 de setembro, essas contas fizeram 117 publicações para promover um perfil dedicado ao ministro André Mendonça, do STF. O perfil saltou de 24 para mais de 329 mil seguidores em menos de dez dias, com postagens que somaram mais de 2,5 milhões de interações. Outro levantamento encontrou 24 perfis dedicados ao ministro, com audiência conjunta de 5,6 milhões de seguidores.

Ao mesmo tempo, um vídeo adulterado por inteligência artificial atribuiu ao Jornal Nacional a notícia falsa de que Mendonça teria tornado Lula inelegível, o que foi desmentido pelo TSE. A estratégia seria usar a imagem do ministro como fonte de legitimidade para contestar o resultado eleitoral, com recortes e falsificações.

Planos de ataque

A radicalização também ultrapassou o ambiente digital. Em 4 de agosto de 2026, a Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou a Operação Rede Interrompida contra oito investigados, de 19 a 31 anos, em cinco estados. O grupo discutia ataques durante o período eleitoral, compartilhava plantas de prédios da Esplanada e manuais de fabricação de explosivos, com o Palácio do Planalto como alvo principal. Não há ligação comprovada com outras campanhas, mas a investigação demonstrou a existência de planos concretos.

No cenário internacional, Trump, novamente na Casa Branca, poderia repetir o método de contestar eleições e apoiar a extrema direita brasileira. Em entrevista ao ICL Notícias em 21 de setembro, o cientista político Steven Levitsky, de Harvard, afirmou que há “boa probabilidade” de Trump não reconhecer uma eventual vitória de Lula, aumentando a ingerência externa.

Parlamentares democratas articulam um encontro com Lula em Nova York para discutir a defesa da legitimidade do pleito brasileiro. A preocupação é que, sem reconhecimento externo e com máquinas digitais poderosas, outra ruptura institucional seja preparada, transformando a eleição em um campo de batalha político.