A história de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, começou em 1717, quando três pescadores – Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso – encontraram uma imagem de barro no Rio Paraíba do Sul, em São Paulo. Após várias tentativas frustradas de pesca, a imagem foi resgatada e identificada como a Imaculada Conceição, sendo então chamada de Aparecida.

Para dom Vilson Dias de Oliveira, bispo emérito de Limeira (SP) e membro da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a celebração de Nossa Senhora da Conceição Aparecida vai além das fronteiras brasileiras. Em uma carta, ele descreve a santa como um “farol espiritual” para o catolicismo universal, enfatizando sua atenção aos mais pobres e vulneráveis.

O bispo ressaltou que o achado da imagem de barro no Rio Paraíba do Sul representou um evento teológico significativo para a Igreja. Ele afirmou que a descoberta “não inaugurou apenas um capítulo na história da fé nacional, mas inscreveu no patrimônio da Igreja um acontecimento profundamente teológico: a manifestação da solicitude de Maria pelos pequenos, pelos descartados e pelos continentes que buscam a sua libertação e unidade no Evangelho de Cristo”.

Dom Vilson também avalia que a devoção à padroeira brasileira tem um significado especial para os países latino-americanos. Segundo ele, Nossa Senhora Aparecida é uma referência de fé em uma região marcada por desigualdades históricas, onde a “Virgem de barro negro” expressa o “rosto da própria Igreja continental”.

No documento, o religioso defende que a imagem de Aparecida transmite ao mundo a mensagem de que Deus manifesta sua grandeza por meio da simplicidade e da humildade. Para ele, a pequena escultura quebrada, encontrada pelos pescadores, simboliza uma evangelização conectada à realidade e à cultura dos povos.

Dom Vilson Dias de Oliveira concluiu que, diante dos desafios sociais, econômicos e espirituais da atualidade, a Virgem Aparecida lembra que Deus realiza maravilhas por meio dos humildes e organizados em comunidade. Ele incentivou as comunidades do Brasil e da América Latina a “não temam dar este passo audacioso”.