Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, foi transferido da Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, nesta terça-feira (20). A remoção ocorreu após uma investigação identificar possíveis regalias durante sua prisão, incluindo visitas de políticos não autorizadas e recebimento de alimentos. A Polícia Civil afastou cinco servidores suspeitos de envolvimento nas irregularidades. Leite, que está preso há mais de um mês por suspeita de participação em um esquema no transporte público, deixou a unidade por volta das 9h. O destino da transferência não foi informado pelas autoridades. O Ministério Público investiga possíveis crimes de corrupção ativa e passiva, prevaricação e outras infrações.

Suspeitas de regalias e visitas irregulares

A investigação teve início após uma denúncia anônima ao Ministério Público sobre as condições de permanência de Milton Leite na prisão. A Polícia Civil apurou a entrada de visitantes e a concessão de benefícios incompatíveis com as regras da unidade. Entre os políticos que teriam visitado o ex-vereador sem autorização formal estão o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e os deputados estaduais Delegado Olim (PP) e Rogério Franco (PL). A apuração também examina o fornecimento de alimentos ao ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo.

Câmeras de segurança registraram a chegada de uma caminhonete ligada à empresa da família de Milton Leite na unidade prisional em 8 e 9 de outubro, além de um carro de luxo. As gravações também mostraram uma viatura descaracterizada no 1º Distrito Policial, de onde dois homens e uma mulher, que parecia ser uma delegada, desembarcaram. Um dos homens entrou na cadeia e retornou com Milton Leite, que foi levado à delegacia pela entrada administrativa, permanecendo lá por quase uma hora antes de voltar à carceragem. O motivo da saída temporária e do encontro na delegacia não foi esclarecido pelos documentos da investigação.

Afastamento de servidores e prorrogação da prisão

Após uma operação de busca e apreensão, a Polícia Civil afastou três delegados, um investigador e um carcereiro, suspeitos de autorizar ou facilitar as regalias. Dinheiro foi encontrado com o carcereiro, e a apuração busca esclarecer a origem dos valores e a possível participação de agentes públicos nas irregularidades. O Ministério Público acompanha o caso para identificar responsabilidades criminais relacionadas ao tratamento concedido ao ex-parlamentar.

Na quinta-feira (15), a Justiça de São Paulo prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária de Milton Leite. A Polícia Civil e o Ministério Público investigam a suspeita de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte coletivo, buscando esclarecer as relações entre integrantes da facção, empresas de ônibus, empresários e agentes públicos, além de possíveis interferências em decisões do setor.

Milton Leite é apontado como possível articulador político do esquema e enfrenta suspeitas de ser o verdadeiro proprietário da Transwolff, empresa já investigada por lavagem de dinheiro para o PCC. Ele nega as acusações. Mensagens atribuídas a integrantes da organização criminosa em celulares analisados pela Polícia Civil indicam a necessidade de envolvê-lo em questões e a preocupação em mantê-lo informado sobre a UpBus, outra companhia de transporte investigada.

Os advogados de Milton Leite tentaram suspender a prisão temporária no Superior Tribunal de Justiça (STJ), alegando comorbidades e solicitando prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. Em 25 de setembro, o ministro Rogerio Schietti Cruz negou o pedido liminar. Com a prorrogação da Justiça paulista, Milton Leite permanece em prisão temporária enquanto as investigações sobre o transporte público e as suspeitas de benefícios irregulares na unidade de Mogi das Cruzes continuam.