Uma troca de mensagens obtida por reportagem da CartaCapital revela que o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, demonstrou temor quanto ao vazamento de um jantar que envolveria Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL) no final de 2024. As conversas, ocorridas via WhatsApp entre Vorcaro e o empresário mineiro Flávio Carneiro, começaram em 8 de dezembro de 2024.
Carneiro iniciou o diálogo questionando Vorcaro sobre um jantar: “Thiago está cobrando se você vai num jantar com meu xará e com o pai dele, pelo que entendi, você está ciente disso?”. Inicialmente, o banqueiro pareceu não entender, respondendo: “Não sei do que você está falando”. Carneiro insistiu, mencionando a cobrança de um terceiro, o “Thiago do Léo”, o que levou Vorcaro a compreender e expressar cautela: “Temos que pensar nisso. Vamos nos falar primeiro”.
Pedido de sigilo e preocupação
No dia seguinte, 9 de dezembro de 2024, Daniel Vorcaro retomou o contato com Flávio Carneiro para solicitar absoluto sigilo sobre o assunto. “Cara. Não fala dessa reunião bolso pra ninguém”, escreveu o banqueiro. Apesar de Carneiro o ter cumprimentado como “cumpadre”, Vorcaro continuou manifestando sua preocupação, dizendo: “Esse negócio acaba comigo. Fábio já veio falar”.
As mensagens não permitem confirmar se o jantar mencionado de fato aconteceu. Para os investigadores do Caso Master, os termos “xará” e “pai dele” se referem, respectivamente, ao senador Flávio Bolsonaro e a Jair Bolsonaro. Naquele período, Jair Bolsonaro cumpria medidas cautelares impostas pela Justiça, como a entrega do passaporte e a proibição de contato com outros investigados em um processo sobre a tentativa de golpe de Estado pós-eleições de 2022.
Identificação de Thiago
Fontes ligadas às investigações indicam que “Thiago” é o publicitário e lobista Thiago Miranda, dono da Agência MiThi e, na época das mensagens, sócio do Grupo Léo Dias de Comunicação. Essa sociedade foi desfeita em maio de 2026, quando Miranda se tornou alvo da Operação Compliance Zero. O publicitário é suspeito de ter organizado o “Projeto DV”, que visava contratar influenciadores digitais para questionar publicamente decisões do Banco Central no processo de liquidação do Banco Master.







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