247 – A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, colocou em xeque a estratégia desenhada pelo presidente da corte, ministro Edson Fachin, para conter a crise interna entre os integrantes do tribunal. A medida impacta o plano inicial de Fachin, que consistia em solicitar manifestações de todos os envolvidos para ganhar tempo na mediação do impasse entre o relator do caso Master e o ministro Alexandre de Moraes, detalha Matheus Teixeira, da CNN Brasil.
A avaliação de interlocutores do tribunal é de que a escalada na tensão acelera a necessidade de uma deliberação definitiva do plenário da corte. Diante da gravidade dos fatos, projeta-se a antecipação do confronto entre Mendonça e Moraes, reduzindo a margem de manobra de Fachin para adiar para o período posterior às eleições a análise das graves acusações trocadas entre os dois magistrados.
Paralelamente, a Advocacia-Geral da União (AGU) deve protocolar um recurso solicitando que a decisão expedida por Mendonça contra o comando da PF seja levada diretamente ao plenário. A intenção decorre do panorama na Segunda Turma da corte, onde já se projeta maioria para confirmar a ordem judicial que afastou de suas funções o chefe da Polícia Federal e o diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada.
Fontes do STF indicam que se tornou inviável avaliar a decisão de Mendonça — que envolve relatório policial utilizado por Moraes — de forma isolada das acusações recíprocas entre os ministros. O quadro amplia a pressão para que o plenário se reúna de forma antecipada para tratar do conjunto da crise institucional.
Durante o julgamento no colegiado pleno, os ministros terão de deliberar sobre dois eixos centrais de apuração. De um lado, cabe ao grupo decidir se abre investigação contra o ministro Alexandre de Moraes com base em relatório policial que aponta o recebimento de mais de 50 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, contendo inclusive indagações sobre uma eventual saída do Brasil. O documento indica também que o próprio magistrado editou um contrato no valor de R$ 131 milhões assinado entre sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master.
De outro lado, o plenário analisará a reação apresentada por Moraes no âmbito do inquérito das fake news. Em sua manifestação, o ministro solicitou a investigação de André Mendonça por crime de responsabilidade e improbidade administrativa, sustentando a tese de que haveria direcionamento político na condução dos inquéritos referentes ao Banco Master e ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).






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