O ator norte-americano Mark Ruffalo, de 58 anos, foi defendido publicamente por mais de 180 figuras judaicas da indústria do entretenimento e de outros setores. O grupo assinou uma carta aberta em apoio ao artista, após a Paramount acusá-lo de antissemitismo por suas críticas à política corporativa da empresa, conforme noticiado pela revista Variety.
Entre os signatários de destaque estão os atores Joaquin Phoenix e Hannah Einbinder, os cineastas Jonathan Glazer e Todd Haynes, e o diretor e roteirista Joel Coen. O embate teve início quando Ruffalo se posicionou contra a proposta de fusão entre a Paramount e a Warner Bros. Discovery. Em uma publicação nas redes sociais em 21 de agosto, o ator questionou os potenciais impactos negativos dessa consolidação para a indústria de Hollywood. Na ocasião, Ruffalo também criticou abertamente os laços financeiros e comerciais da família Ellison – controladora ligada à gigante de tecnologia Oracle e à própria Paramount – com o Estado de Israel, associando esses interesses econômicos à crise humanitária e ao que ele descreveu como genocídio palestino na Faixa de Gaza.
Reação da Paramount e apoio a Ruffalo
Em resposta às declarações de Ruffalo, um porta-voz oficial da Paramount rebateu o ator publicamente, acusando-o de usar “estereótipos antissemitas” no debate sobre a transação empresarial. As falas do artista também geraram manifestações desfavoráveis de organizações e profissionais do setor cinematográfico, como o Simon Wiesenthal Center e a Creative Community for Peace, que emitiram notas de condenação aos seus comentários.
Por outro lado, o documento de apoio divulgado pela Variety classifica os ataques a Ruffalo como uma “campanha difamatória”. A carta enfatiza que expor o cenário corporativo não configura preconceito, afirmando que “Apontar as conexões cruciais entre o que está acontecendo em Gaza e o que está acontecendo em Hollywood é exatamente o oposto do antissemitismo”.
Críticas à concentração de poder na indústria
Além de contestar as acusações, o texto do grupo de personalidades judaicas expressa uma forte crítica à crescente concentração de poder econômico na indústria de mídia e questiona os negócios promovidos por Larry Ellison, fundador da Oracle e figura central na engenharia financeira da operação da Paramount.
Diversos nomes relevantes na indústria do entretenimento reiteraram seu posicionamento individualmente. O cineasta Jonathan Glazer divulgou uma declaração pessoal reforçando a defesa de Ruffalo, sustentando que acusá-lo de antissemitismo por contestar uma megafusão corporativa é uma estratégia deliberada para silenciar críticas legítimas. O dramaturgo e cineasta Kenneth Lonergan classificou a acusação do estúdio contra o ator como “flagrantemente absurda”, um posicionamento que também foi ecoado pela atriz e comediante Hannah Einbinder.






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