247 – A disputa pelo apoio do Centrão já entrou no radar das campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se movimentam nos bastidores diante da possibilidade de um segundo turno na eleição presidencial.

Segundo apuração da CNN Brasil, publicada pela analista Larissa Rodrigues, aliados de Lula trabalham para que partidos de centro mantenham posição de neutralidade nacional após o pleito de 4 de outubro. A estratégia abriria espaço para que diretórios estaduais apoiem o petista em determinadas regiões, especialmente no Nordeste.

No Planalto, as conversas mais avançadas ocorrem com o PSD. Interlocutores do governo também miram tratativas com PP, Republicanos e União Brasil. A expectativa é que novas reuniões sejam feitas ainda nesta semana, em uma tentativa de consolidar uma posição que impeça um alinhamento formal dessas legendas com Flávio Bolsonaro.

A avaliação no entorno de Lula é que a neutralidade nacional do Centrão poderia favorecer acordos regionais com o PT, sem obrigar as cúpulas partidárias a uma declaração pública de apoio ao presidente. Esse desenho permitiria que lideranças locais ajustassem suas posições conforme os interesses eleitorais de cada estado.

A movimentação petista provocou reação na campanha de Flávio Bolsonaro. O PL também tenta avançar sobre as legendas de centro e sustenta que o cenário mudou em relação ao primeiro turno, quando esses partidos optaram por não se comprometer nacionalmente com uma candidatura presidencial.

Aliados de Flávio argumentam que o senador cresceu nas pesquisas e que, em uma disputa direta contra Lula, seria natural que partidos de centro-direita declarassem apoio ao candidato do PL. Apesar dessa leitura, a campanha ainda não recebeu uma sinalização positiva do Centrão em favor do senador, de acordo com a apuração.

A disputa pelas siglas de centro ocorre em uma fase decisiva da campanha, na qual as duas candidaturas buscam reduzir riscos para um eventual segundo turno. Para Lula, a prioridade é evitar que o Centrão se una formalmente em torno de Flávio. Para o PL, o desafio é impedir que a neutralidade das legendas deixe espaço para apoios estaduais ao presidente.