247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a investigação de qualquer autoridade ou empresário suspeito de irregularidades no Brasil, reafirmou o compromisso com o equilíbrio das contas públicas e prometeu ampliar os investimentos na educação. Candidato à reeleição, ele também apresentou propostas para o Judiciário, a economia e a segurança pública.

Em entrevista ao SBT Brasil nesta quinta-feira (10), no Palácio da Alvorada, Lula respondeu a perguntas sobre a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), o Banco Master, as investigações do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o custo de vida e as pesquisas eleitorais.

Lula afirmou que as suspeitas envolvendo autoridades devem ser apuradas independentemente do cargo ocupado. Para o presidente, a transparência é necessária para preservar a credibilidade das instituições e permitir que a sociedade compreenda as decisões tomadas nos processos.

“Todo mundo tem que ser investigado, do presidente da Suprema Corte ao presidente da República, do mais simples catador de papel deste Brasil ao mais rico empresário”, declarou.

O presidente criticou vazamentos seletivos de informações sigilosas, que, segundo ele, podem prejudicar pessoas, influenciar a disputa eleitoral e comprometer a imagem das instituições. Lula defendeu a retirada do sigilo das investigações sobre o Banco Master e o INSS, desde que isso não comprometa as apurações.

“Eu sou favorável a abrir tudo. Toda vez que houver uma denúncia envolvendo o Poder Judiciário ou a política, que se abra”, afirmou.

Lula também sustentou que os ministros Alexandre de Moraes, André Mendonça, Edson Fachin ou qualquer outro integrante do STF devem responder caso cometam irregularidades. Ele elogiou Fachin, presidente da Corte, pela condução da crise e disse esperar que o tribunal esclareça as divergências internas e recupere a confiança da população.

Sobre o Banco Master, Lula confirmou ter recebido o banqueiro Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto. Segundo o presidente, a reunião durou menos de meia hora e ocorreu depois que o empresário alegou que a instituição financeira estava sendo perseguida.

Lula disse ter informado a Vorcaro que o banco seria submetido aos mesmos procedimentos aplicados às demais instituições. “Você será investigado com a mesma seriedade com que investigamos todo mundo. Se não tiver culpa, estará livre”, relatou.

O presidente afirmou que as investigações identificaram irregularidades, provocaram o fechamento do banco e levaram à prisão de Vorcaro. Ele também manifestou confiança no diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, mas ressaltou que qualquer agente público deve ser responsabilizado se cometer algum ilícito.

Lula defendeu ainda uma nova reforma do Poder Judiciário e afirmou que considera necessário discutir mandatos para ministros do STF. Atualmente, os integrantes da Corte podem permanecer no cargo até a aposentadoria compulsória aos 75 anos.

“Eu, sinceramente, acho que é preciso discutir o mandato para a Suprema Corte. Ninguém pode ficar 40 anos no mesmo cargo”, disse. O presidente não apresentou uma duração específica e afirmou que pretende consultar especialistas, instituições e representantes da sociedade antes de formular a proposta.

Na educação, Lula prometeu preparar um programa de investimentos para os próximos dez anos. O plano deverá incluir a expansão das escolas de tempo integral, o fortalecimento dos institutos federais e a criação de cursos ligados à inteligência artificial, aos minerais críticos e à economia digital.

“Não existe, na história da humanidade, nenhum país que tenha dado certo sem investir em educação”, declarou.

O presidente afirmou que pretende cumprir o Plano Nacional de Educação e ampliar o ensino integral nos níveis fundamental e médio. Segundo ele, a medida pode melhorar a aprendizagem e oferecer mais segurança aos pais durante a jornada de trabalho.

Lula também defendeu a atualização dos cursos oferecidos pelas universidades públicas. “Nós precisamos formar mais gente em inteligência artificial, na área de minerais críticos e para compreender este mundo digital, que é a bola da vez para a juventude que quer progredir”, afirmou.

Ao relacionar educação e segurança, Lula argumentou que financiar a formação de um estudante custa menos ao Estado do que manter uma pessoa presa. “É muito mais barato evitar que as pessoas se tornem criminosas do que construir cadeias depois”, disse.

O presidente rejeitou a avaliação de que a ampliação dos investimentos educacionais seja incompatível com o controle das contas públicas. Ele afirmou que qualquer vencedor da eleição terá de promover ajustes fiscais, mas defendeu que a contenção de despesas não recaia prioritariamente sobre os programas sociais.

“Ninguém neste país tem autoridade para falar de responsabilidade fiscal comigo. Ninguém”, declarou. Lula citou os superávits primários registrados em seus primeiros mandatos e afirmou que o atual governo recebeu as contas com déficit de 2,8% e pretende entregar superávit de 0,1%.

Lula reconheceu que o custo de vida continua elevado e que parte da população ainda não percebe os resultados econômicos apresentados pelo governo. Segundo ele, a inflação perdeu força, mas os preços não retornaram aos níveis anteriores. O presidente prometeu manter a política de valorização do salário mínimo acima da inflação.

Questionado sobre uma possível redução de seu apoio entre beneficiários do Bolsa Família, Lula minimizou as oscilações nas pesquisas. “Eu só sinto que perdi voto depois que as eleições são apuradas”, afirmou.

Na segurança pública, o presidente defendeu a aprovação da proposta de emenda à Constituição que redefine as atribuições da União, dos estados e dos municípios. Ele também reiterou os planos de criar o Ministério da Segurança Pública, fortalecer a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal e ampliar os investimentos em inteligência.

“Eu quero investir mais na Polícia Federal, mais em inteligência e mais na Polícia Rodoviária Federal. Tudo isso para combater o crime organizado da esquina ao andar de cima”, declarou.