247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (1º), em meio a um novo capítulo da crise interna na Corte, desencadeado pela divulgação de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As informações foram publicadas pela jornalista Tainá Falcão, da CNN Brasil.
Ministros próximos a Moraes levaram a Lula reclamações sobre o que avaliam como falta de uma reação institucional mais firme do governo diante da escalada de pressões sobre o Supremo e sobre investigações conduzidas pela Polícia Federal.
No centro da crise está a atuação do ministro André Mendonça, relator de investigações relacionadas ao Banco Master. A ala mais próxima de Moraes acusa Mendonça de agir em sintonia com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula nas eleições. Pessoas próximas ao ministro, no entanto, rejeitam essa interpretação.
De acordo com a CNN, integrantes do STF também manifestaram incômodo com a postura da Advocacia-Geral da União (AGU), comandada por Jorge Messias. A cobrança envolve a decisão da AGU de não avançar com um pedido da Polícia Federal para contestar determinações de Mendonça consideradas restritivas à atuação dos investigadores.
Entre os pontos questionados estão a obrigação de compartilhar com o gabinete do ministro dados brutos das apurações e a necessidade de comunicar previamente mudanças nas equipes responsáveis pelos inquéritos. Para interlocutores da Corte, essas exigências podem afetar a autonomia operacional da PF em casos sensíveis, como os que envolvem o Master e o INSS.
Outro foco de cobrança é o Ministério da Justiça. Ministros do Supremo avaliam que a pasta deveria atuar de forma mais incisiva na defesa institucional da Polícia Federal, especialmente diante de vazamentos de informações de investigações. Entre os episódios citados estão detalhes de apurações sobre a relação de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, com uma rede de lobistas no governo.
Apesar das pressões, Lula tem sido aconselhado por aliados próximos a evitar uma defesa pública de Alexandre de Moraes e a manter distância da crise no Supremo. A avaliação no entorno do presidente é que uma intervenção direta poderia ampliar o desgaste político e transformar uma disputa interna da Corte em confronto aberto entre o Planalto, o STF e a oposição.






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