Durante um ato de campanha realizado em Florianópolis, Santa Catarina, neste sábado (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabeleceu um contraponto entre os projetos de seu governo e os da administração anterior de Jair Bolsonaro. Em seu discurso, Lula enfatizou que os eleitores deverão optar entre duas visões distintas para o país, colocando educação, saúde e o desenvolvimento como pilares da disputa eleitoral.
O presidente criticou a política de facilitação do acesso a armamentos implementada pelo governo anterior, mencionando a aprovação para a compra de um milhão de armas e 1,1 bilhão de balas. Em contraste, Lula defendeu as políticas educacionais propostas por sua gestão. Ele também reiterou críticas à condução da pandemia de Covid-19 pela gestão passada, período no qual o Brasil registrou mais de 700 mil óbitos. Em sua fala, o presidente associou a escolha nas urnas em outubro à definição do modelo de país que os brasileiros desejam construir para as futuras gerações.
Combate ao feminicídio e desenvolvimento tecnológico
Um ponto central do discurso foi a abordagem ao enfrentamento da violência contra as mulheres. Lula expressou a intenção de endurecer as punições para agressores e salientou a responsabilidade masculina no combate ao feminicídio, declarando que as leis se tornarão cada vez mais rigorosas e as penas serão ampliadas. O presidente também incentivou a maior participação feminina na política, conclamando as eleitoras a votar em candidatas de sua linha política. O combate ao feminicídio foi alçado a uma das principais bandeiras do governo para 2026. Dados do Ministério da Justiça indicam 848 vítimas de feminicídio entre janeiro e julho deste ano, uma redução de 3,2% em relação às 876 registradas no mesmo período de 2025.
Lula também conectou o desenvolvimento econômico à formação científica e tecnológica nacional. Ao discutir recursos naturais e energia, defendeu que a riqueza do Brasil seja empregada para financiar educação, pesquisa e a formação de engenheiros e cientistas. O presidente afirmou a necessidade de o Brasil desenvolver capacidade própria em setores estratégicos, citando chips, baterias e conhecimento tecnológico. Ele expressou o desejo de “exportar inteligência, conhecimento” e defendeu investimentos em pesquisa e universidades para diminuir a dependência tecnológica do país. Essa mensagem reforça a proposta de utilizar os recursos naturais do Brasil não somente para exportação, mas como ferramenta para financiar uma estratégia de desenvolvimento nacional e a formação das novas gerações.
Abertura de mercados e apelo aos eleitores idosos
Em Santa Catarina, um dos maiores polos agroindustriais do Brasil, Lula fez um aceno ao agronegócio. O presidente informou que seu governo realizou 693 aberturas de mercado para produtos brasileiros desde janeiro de 2023. Essa contagem inclui cada autorização concedida por um país para importar um produto específico do Brasil, podendo um mesmo país representar múltiplas aberturas ao permitir a entrada de diferentes mercadorias. Das 693 aberturas mencionadas, 118 se referem às quatro principais proteínas produzidas em Santa Catarina. Lula questionou a resistência de parte do agronegócio, argumentando que seu governo ampliou o crédito e as oportunidades comerciais para o setor.
Na fase final antes do primeiro turno, Lula também dirigiu sua mensagem aos eleitores mais velhos, para quem o voto se torna facultativo a partir dos 70 anos. O presidente os incentivou a considerar não apenas seus próprios interesses ao decidir ir às urnas, mas também os de seus filhos, netos e das futuras gerações. O grupo com 70 anos ou mais corresponde a 10,8% do eleitorado brasileiro em 2026, aproximadamente 17,2 milhões de pessoas. Ao integrar educação, combate à violência contra a mulher, desenvolvimento tecnológico, produção agrícola e políticas sociais em seu discurso, Lula buscou apresentar a eleição como uma escolha entre diferentes projetos para o futuro do país, tendo como base de sua campanha a defesa de um Estado focado na formação, proteção social e desenvolvimento nacional.







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