247 – Na reta final da campanha presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a intensificar gestos voltados ao eleitorado mais fiel, com aumento de viagens, entrevistas e publicações nas redes sociais para tentar ampliar a mobilização de seus apoiadores.

Segundo a Folha de São Paulo, uma das frentes adotadas pela campanha é a aproximação com fã-clubes de artistas pop, em especial aqueles ligados a nomes que já declararam apoio a Lula em eleições anteriores ou que se associam a pautas consideradas progressistas. A iniciativa ocorre em um momento de disputa apertada contra Flávio Bolsonaro (PL).

A estratégia mira sobretudo o eleitorado jovem. Perfis oficiais de mobilização da campanha passaram a publicar conteúdos citando fã-clubes que apoiariam o petista nestas eleições. Entre eles está o grupo “Anitters com Lula”. A cantora Anitta declarou voto em Lula em 2022.

De acordo com a reportagem, integrantes da campanha afirmam que a seleção dos fã-clubes não é aleatória. A orientação é priorizar artistas mais alinhados a pautas de esquerda ou progressistas. Por esse critério, grupos ligados à cantora Ana Castela, por exemplo, não entraram nas postagens. A sertaneja já deu declarações interpretadas como favoráveis a pautas bolsonaristas e aparece em fotos ao lado de nomes da direita, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

A primeira publicação da série usou como gancho o aniversário de Beyoncé. O fã-clube da cantora norte-americana foi o primeiro a aparecer em um carrossel de fotos pensado para estimular republicações dos apoiadores. Beyoncé tem histórico de posicionamentos públicos em defesa de pautas raciais, uma das associações consideradas pela campanha na escolha dos grupos.

Outras artistas mencionadas nas publicações foram Marina Sena e Luísa Sonza, que já se manifestaram a favor de Lula em ocasiões anteriores. Os conteúdos voltados a esse público foram idealizados pela Secretaria de Juventude do PT.

Na sexta-feira (18), a secretaria anunciou uma “plenária com fã-clubes”. No formulário de inscrição dos grupos, a pauta apresentada era a articulação nacional com fã-clubes pela reeleição de Lula.

O movimento ganhou força depois de um evento no Palácio do Planalto que reuniu fã-clubes durante a sanção da lei que passou a obrigar a oferta gratuita de água potável em eventos com mais de 1.000 pessoas. A presença dos grupos foi articulada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). A discussão sobre o tema ganhou repercussão após a morte de uma fã durante um show de Taylor Swift no Rio de Janeiro, em meio ao forte calor.

Além da aproximação com fã-clubes, a campanha orientou seus integrantes a reforçar a militância e a divulgação das propostas de governo de Lula. O objetivo é contrastar a agenda do presidente com a de Flávio Bolsonaro, sob o argumento de que o adversário ainda não teria apresentado propostas concretas sobre o que pretende fazer caso seja eleito.

Temas considerados sensíveis para o eleitorado, como economia e segurança pública, passaram a ganhar mais espaço nas redes sociais e nos programas eleitorais conforme a disputa avançou. Um exemplo citado pela Folha foi o programa exibido na quinta-feira (17), o primeiro da campanha de Lula a abordar diretamente o preço dos alimentos e o público dos microempreendedores individuais, os MEIs.

No vídeo, a campanha tentou associar a alta dos preços a decisões tomadas no governo de Jair Bolsonaro, como mudanças no setor de combustíveis. A peça também usou imagens de um prato de metal vazio e de ossos com carne, em referência à chamada “fila do osso”, episódio que marcou a eleição de 2022 e desgastou a campanha bolsonarista naquele ano.

Nos primeiros programas eleitorais, Lula havia concentrado sua mensagem na defesa da soberania nacional. Entre os materiais veiculados, estavam conteúdos sobre minerais críticos e terras raras, com a defesa da exploração nacional desses recursos e críticas à interferência estrangeira.