247 – A inauguração do novo escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em Adis Abeba, capital da Etiópia, encerrou a vitoriosa Missão Comercial e Empresarial à África, e selou um momento histórico para as relações comerciais do Brasil. O presidente da instituição, Laudemir Müller, avaliou, em entrevista à TV 247, que o movimento estratégico representa não apenas a consolidação de laços, mas a permanência na África de maneira definitiva.
“É um novo capítulo que abrimos, é uma nova era do comércio do Brasil com a África”, declarou. Ele reforçou a importância do marco: “a partir de agora nós estaremos permanentemente aqui”.
O objetivo central desta presença contínua é claro: ampliar e diversificar as exportações brasileiras. O intercâmbio comercial com o continente africano como um todo já apresentou um notável salto nas exportações nas últimas duas décadas. Müller relembrou que “em 2002 exportávamos 5 bilhões de dólares, e agora estamos exportando 24 bilhões de dólares”.
A meta agora vai além dos números brutos, buscando a importância de intercâmbios empresariais constantes para fugir das transações esporádicas. “A partir de agora passamos também a ter uma conexão principalmente com o mundo empresarial daqui de uma forma permanente”, explicou.
O potencial comercial com a Etiópia ganhou destaque especial devido ao seu expressivo potencial econômico. Trata-se de um país de 130 milhões de habitantes, com uma população majoritariamente jovem. “A Etiópia está crescendo a 9% ao ano”, ressaltou Müller.
A balança comercial com o país africano revela que há muito a ser explorado. Enquanto a Etiópia importa 23 bilhões de dólares anualmente, o Brasil exporta apenas cerca de 30 milhões, em uma pauta superconcentrada em combustíveis. A ApexBrasil busca reverter esse cenário apresentando o mercado africano aos produtores brasileiros.
Neste horizonte de expansão, existem ricas oportunidades para empresas brasileiras em vários setores. Segundo o presidente da ApexBrasil, o mercado africano demanda soluções variadas.
“Não falo só em segurança alimentar, como também de móveis, de calçados, da área de TI, dos nossos softwares, da área de fármacos e de vacinas, do setor de plástico, do setor de eletrodomésticos, do setor de óleo e gás, do setor de etanol de energia, de máquinas equipamentos”, listou Müller, destacando o imenso entusiasmo dos empresários brasileiros ao conhecerem de perto a realidade local.
Tudo isso ocorre em um atual momento de fragmentação no comércio internacional e de grande incerteza global, que estimula a busca por novos parceiros. Diante desse cenário de tensões, a segurança dos parceiros africanos se tornou um atrativo vital. O presidente da ApexBrasil garantiu que “África é cada vez mais é um parceiro estável, com capacidade de pagamento, mas principalmente é um parceiro que tem capacidade de demanda”.
Com o continente africano crescendo em média de 4% a 4,5% ao ano — índice superior ao dos países em desenvolvimento e à média mundial —, o Brasil se posiciona de forma estratégica, apostando no potencial econômico, na afinidade na hora de fazer negócios e no desenvolvimento mútuo nesta nova e promissora era comercial.
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