Decisões tomadas pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, estão sendo avaliadas por outros ministros da corte como um favorecimento à campanha de Flávio Bolsonaro. Segundo os magistrados, as ações podem ter o objetivo de provocar uma intervenção do Supremo Tribunal Federal (STF) em pautas eleitorais.

As decisões incluem censura a pesquisas eleitorais, derrubada de posts de campanhas, validação liminar de candidatura, interrupções estratégicas de julgamentos e uso do poder de polícia sobre as redes sociais. Essas medidas contrastam com a promessa inicial de Kassio Nunes Marques de uma corte autocontida nas eleições de 2026.

A preocupação levou integrantes do TSE a alertar ministros do STF, como Flávio Dino e Gilmar Mendes, para que atuem com cautela e evitem “armadilhas” que possam reverter ordens do tribunal eleitoral. Na época de sua posse, em maio, Kassio defendeu que o TSE agisse com prudência, evitando excessos e minimizando interferências nas disputas políticas.

Entre os episódios que geraram controvérsia, está a suspensão da divulgação de uma pesquisa Atlas/Bloomberg e a derrubada do canal de WhatsApp “Exército do Lula” por meio do poder de polícia, atropelando o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. O presidente do TSE também validou a candidatura de Deltan Dallagnol ao Senado no dia do primeiro turno, revertendo uma decisão anterior.

“Tratoraço” e intenção de inflamar o STF

A série de liminares favoráveis à campanha bolsonarista e a reversão de decisões de outros ministros nos bastidores do TSE, como nos casos envolvendo Deltan e o “Exército do Lula”, são apelidadas de “tratoraço”. Há relatos de “quebra de confiança” dentro do tribunal, e os ministros Floriano de Azevedo Marques, Ricardo Villas Bôas Cueva, Estela Aranha e Sebastião dos Reis Júnior se uniram para discutir possíveis reações.

Este grupo de ministros vê nas interrupções de julgamentos com maioria já formada a favor de Lula uma manobra para que as liminares favoráveis a Flávio Bolsonaro permaneçam válidas por mais tempo. A avaliação é que Kassio Nunes Marques estaria buscando inflamar o Supremo para gerar decisões que possam ser interpretadas como ativismo judicial pró-Lula, com o objetivo de gerar críticas ao STF e dividendos eleitorais para Flávio Bolsonaro.

Kassio Nunes Marques negou parcialidade, afirmando que suas decisões seguem um “padrão decisório” e que as interrupções de julgamentos virtuais ocorrem quando há desrespeito à jurisprudência do tribunal. Ele também destacou que já tomou decisões favoráveis a Lula, como a negativa de barrar publicidade do petista sobre o fim da escala 6x1. O ministro atribui a judicialização às partes, e não ao TSE, e menciona uma reunião produtiva com as campanhas presidenciais, sinalizando sua abertura para mediar consensos.