247 – O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, retornou às redes sociais com uma breve mensagem que alcançou milhões de usuários no X. “Estou de volta”, escreveu o jornalista e ativista em seu perfil na plataforma nesta quinta-feira (17).

Segundo a publicação feita por Assange no X, o post havia acumulado 29,8 milhões de visualizações cerca de 17 horas depois de ir ao ar. O WikiLeaks reforçou o anúncio ao compartilhar a mensagem com a frase: “Ele voltou”.

A manifestação provocou uma série de reações de jornalistas, ativistas e apoiadores de Assange. O jornalista norte-americano Max Blumenthal afirmou: “Eles não conseguiram silenciar você”. A comunicadora conhecida como Syrian Girl escreveu: “Bem-vindo de volta”.

O cartunista brasileiro Carlos Latuff também saudou o fundador do WikiLeaks. “Bem-vindo de volta, meu amigo”, publicou. Outros perfis responderam à mensagem com manifestações semelhantes de apoio.

Embora não tenha apresentado detalhes sobre os próximos passos, Assange sinalizou com a publicação a retomada de sua presença direta nas redes. A escolha de uma frase curta concentrou a atenção internacional sobre seu retorno à comunicação pública.

O WikiLeaks ganhou projeção mundial com a divulgação de documentos sigilosos relacionados a guerras, operações diplomáticas e atividades de governos. O trabalho da organização transformou Assange em uma das figuras mais conhecidas dos debates internacionais sobre liberdade de imprensa, proteção de fontes e acesso a informações de interesse público.

complemente a informação com um resumo de como e porque foi preso, o que sofreu e a sua libertação, com respectivas datas

Julian Assange volta às redes após anos de perseguição e cárcere

Fundador do WikiLeaks publica “Estou de volta” dois anos após deixar Belmarsh, onde passou 62 meses enquanto combatia a extradição aos EUA

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, retomou sua presença nas redes sociais com uma mensagem curta, publicada dois anos depois de recuperar a liberdade após uma longa batalha judicial. “Estou de volta”, escreveu o ativista australiano no X nesta quinta-feira (17).

Segundo a publicação feita por Assange, a postagem havia alcançado 29,8 milhões de visualizações cerca de 17 horas depois de ir ao ar. O perfil oficial do WikiLeaks compartilhou a mensagem e acrescentou: “Ele voltou”.

A manifestação provocou reações de jornalistas, ativistas e apoiadores. O jornalista norte-americano Max Blumenthal afirmou: “Eles não conseguiram silenciar você”. A comunicadora conhecida como Syrian Girl escreveu: “Bem-vindo de volta”. O cartunista brasileiro Carlos Latuff também se pronunciou: “Bem-vindo de volta, meu amigo”.

A publicação marca mais uma etapa da retomada pública de Assange depois de quase 12 anos entre o confinamento na Embaixada do Equador em Londres e a prisão britânica de segurança máxima de Belmarsh. A sequência de processos começou após o WikiLeaks divulgar, em 2010, centenas de milhares de documentos secretos dos Estados Unidos sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão, além de comunicações diplomáticas norte-americanas.

Asilo na Embaixada do Equador

Também em 2010, promotores suecos solicitaram que Assange fosse interrogado sobre acusações de crimes sexuais. Ele negou as alegações e sustentou que uma extradição para a Suécia poderia abrir caminho para sua posterior transferência aos Estados Unidos.

Depois de perder recursos contra a extradição na Justiça britânica, Assange entrou na Embaixada do Equador em Londres em 19 de junho de 2012. O governo equatoriano concedeu asilo político ao fundador do WikiLeaks em agosto daquele ano.

A permanência na representação diplomática se estendeu por quase sete anos. Embora o Ministério Público sueco tenha encerrado uma das investigações em 2017 — e abandonado o caso remanescente em novembro de 2019 —, Assange ainda era procurado pela Justiça britânica por ter descumprido as condições de sua liberdade provisória em 2012.

Prisão em Belmarsh e acusação dos Estados Unidos

Em 11 de abril de 2019, o governo do então presidente equatoriano Lenín Moreno revogou o asilo. Policiais britânicos entraram na embaixada e prenderam Assange. Na mesma data, o Ministério do Interior do Reino Unido confirmou que ele também havia sido detido em razão de um pedido provisório de extradição apresentado pelos Estados Unidos.

Em 1º de maio de 2019, a Justiça britânica o condenou a 50 semanas de prisão pelo descumprimento das condições de liberdade provisória. Mesmo depois de cumprir essa pena, Assange permaneceu detido em Belmarsh enquanto contestava o pedido norte-americano de extradição.

Os Estados Unidos apresentaram 18 acusações contra ele: 17 com base na Lei de Espionagem e uma relacionada à suposta tentativa de invasão de computadores. O processo se referia à obtenção e publicação, pelo WikiLeaks, de documentos fornecidos pela ex-analista de inteligência militar Chelsea Manning.

Se fosse condenado por todas as acusações nos Estados Unidos, Assange poderia receber uma pena de até 175 anos de prisão, segundo a Anistia Internacional. Seus defensores afirmavam que a ação criminalizava práticas inerentes ao jornalismo, como receber informações sigilosas de fontes e divulgar documentos de interesse público.

Denúncias de tortura psicológica e deterioração da saúde

O longo confinamento provocou preocupações sobre a saúde física e mental de Assange. Em maio de 2019, o então relator especial da Organização das Nações Unidas sobre tortura, Nils Melzer, visitou o australiano em Belmarsh acompanhado por dois especialistas médicos.

Após a avaliação, Melzer afirmou que Assange apresentava sintomas associados à exposição prolongada à tortura psicológica. O relator denunciou o que classificou como uma perseguição coletiva envolvendo diferentes Estados e alertou para o agravamento de sua saúde.

Durante os anos seguintes, entidades de defesa dos direitos humanos também criticaram as condições enfrentadas pelo fundador do WikiLeaks. A Anistia Internacional afirmou que ele correria risco de sofrer abusos, confinamento solitário prolongado e atendimento médico inadequado caso fosse enviado aos Estados Unidos. Em abril de 2024, a organização classificou como “inaceitável” sua permanência durante cinco anos em uma prisão de segurança máxima.

Acordo judicial encerrou batalha pela extradição

Assange deixou Belmarsh em 24 de junho de 2024 após fechar um acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Ele aceitou declarar-se culpado de uma única acusação de conspiração para obter e divulgar ilegalmente informações confidenciais relacionadas à defesa nacional.

Em 26 de junho de 2024, Assange compareceu a um tribunal federal norte-americano em Saipan, nas Ilhas Marianas do Norte, território dos Estados Unidos no Pacífico. O local foi escolhido por ficar mais próximo da Austrália e porque ele se recusava a viajar para o território continental norte-americano.

O australiano foi condenado a 62 meses de prisão, mas a pena foi considerada integralmente cumprida com o período passado em Belmarsh. Após a audiência, ele embarcou para Canberra e chegou à Austrália como homem livre. O acordo também estabeleceu que Assange não poderá retornar aos Estados Unidos sem autorização.

Em 1º de outubro de 2024, durante sua primeira manifestação pública após a libertação, Assange afirmou perante a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa que o acordo foi a única alternativa viável depois dos anos de encarceramento.

“Quero ser totalmente claro: não estou livre hoje porque o sistema funcionou. Estou livre hoje porque, depois de anos de encarceramento, declarei-me culpado de jornalismo. Declarei-me culpado de buscar informações de uma fonte e declarei-me culpado de informar ao público quais eram essas informações”, disse.

Quase dois anos depois da libertação, a mensagem “Estou de volta” recolocou Assange no centro da atenção internacional e reavivou o debate sobre liberdade de imprensa, proteção de fontes e os limites impostos por governos à divulgação de documentos sigilosos de interesse público.

I’m back. https://t.co/2e58azeJkt— Julian Assange (@JulianAssange) September 17, 2026