A influenciadora digital Paula Simões Assisi, presa preventivamente por suspeita de envolvimento em um esquema de tráfico internacional de cocaína ligado à máfia italiana 'Ndrangheta, chamou a atenção por uma publicação em rede social. No texto, ela mencionava ter coragem de “botar fogo” em pessoas.

“Se as pessoas soubessem que tenho coragem de botar fogo nelas não arriscavam tanto...”, escreveu a influenciadora, que tem 34 anos. Não há indícios de relação entre a mensagem e os crimes investigados ou de que tenha sido direcionada a alguém. Ela tinha aproximadamente 29,5 mil seguidores e publicava conteúdos sobre maquiagem, estética, música e dança.

A Polícia Federal (PF) suspeita que Paula tenha assumido funções de liderança em uma organização criminosa. Isso teria ocorrido após a prisão do marido dela, Patrick Assisi, e do sogro, Nicola Assisi, em julho de 2019, em Praia Grande (SP). Os dois são apontados como integrantes da 'Ndrangheta, que é originária da região da Calábria, no sul da Itália.

Investigação aponta coordenação de carregamentos de cocaína

De acordo com a investigação, Paula teria coordenado atividades de tráfico internacional de cocaína no Brasil. A PF identificou conversas entre janeiro de 2020 e fevereiro de 2021 em um aplicativo de mensagens criptografadas, nas quais a influenciadora usaria o codinome "Chanel". Ela teria negociado com fornecedores de drogas, coordenado carregamentos de cocaína e participado da movimentação financeira do grupo.

A decisão judicial aponta também que Paula teria administrado cerca de 2,2 toneladas de cocaína que permaneceram sob controle do grupo após as prisões. Mesmo depois da apreensão desse estoque, a influenciadora teria continuado a negociar a aquisição de novos carregamentos.

A investigação também relaciona Paula ao advogado Patrick Raasch Cardoso, de Santos (SP), que é suspeito de participar do esquema. O advogado teria atuado como intermediário em contatos com traficantes internacionais ligados à 'Ndrangheta e, posteriormente, participado da coordenação de remessas de cocaína.

Paula foi presa em 17 de setembro, durante a Operação Eredità, conduzida pela Polícia Federal em parceria com autoridades italianas. A Justiça Federal decretou a prisão preventiva dela e de outros investigados, além de determinar o sequestro de imóveis e o bloqueio de bens móveis, contas bancárias e aplicações financeiras. A defesa da influenciadora nega as acusações e contestou a conclusão de que ela teria assumido atividades criminosas após a prisão dos familiares.